domingo, 21 de maio de 2017

Casos&Acasos por Suellen Mendes: Sedução nas Águas (Final)

Olá, meus amores do STC!
Como vocês estão? Hoje irei postar aqui na página o terceiro capítulo de Sedução nas Águas. Espero que vocês estejam gostando de conhecer está releitura da lenda do boto. Uma das lendas mais famosas da região norte brasileira.

Quero aproveitar a oportunidade para lhes fazer dois convites. O primeiro é para que conheçam o meu romance Perdida em seu Coração,o qual foi publicado ontem na Amazon pela Editora Independente. Nessa ocasião a Editora preparou uma maravilhosa e ousada promoção para o lançamento simultâneo de Perdida em seu Coração e Aurora Sob as Estrelas da minha queridíssima amiga Mai Passos. Então não deixe de conferir, ok? Tá valendo um número para o sorteio de um aparelho Kindle.

E o meu segundo convite é especial para a galera de São Paulo, ou para aqueles que estejam visitando essa maravilhosa cidade no dia 7 de maio.Nessa ocasião, estará acontecendo o evento de lançamento da Antologia “Além da Terra, Além do Céu”, da Chiado Editora, às 11h, no Teatro Gazeta, e eu estarei presente devido à minha participação na referidaAntologia com o poema “Antítese da Alma”. Seria um prazer poder encontrá-lo por lá.




Sedução nas águas – Um novo ser
Parte 3 ( Por Suellen Mendes)

Consequências e muita confusão foi tudo o que encontrei após aquela noite. A noite em que fui seduzida e arrebatada por aquele ser místico e fascinante. Desde minha infância o boto me salvara, desde que o vi pela primeira vez, quando perdi a minha mãe, eu me reconheci refletida nele. E talvez seja por isso que o fato de estar esperando o seu filho não me assusta. Apesar de toda a loucura e improbabilidade de algo assim acontecer, eu realmente estou grávida do boto.

- Michele! Taí?

- Sim,vózinha!

- Tu não quer comer? Fiz um tucunaré que tá de lamber os beiço!

- Quero não, vó! Tô sem fome!

- Mas tu precisa comer! Como acha que vai sustentar esse moleque se não se alimentar direito? – eu queria lhe dizer que não conseguiria comer nem se tentasse, mas o fato é que não podia contrariá-la. De todos em minha casa, minha Vó Antônia foi a única a me dar apoio incondicional.

- Tá bem, vovó! Vou fazer o que a senhora quer.

Ao chegar na cozinha tive que lidar com o olhar atravessado de tio Zé. Ele, definitivamente, não havia engolido a história que Paulo lhe contara: que eu havia sido seduzida pelo boto.

- Isso é uma vergonha, Michele! Quero saber quando pretende contar quem é o verdadeiro pai desse moleque!

- Já disse a verdade, tio! Se quiser o senhor acredita, senão não posso fazer nada.

- Isso é jeito de falar, menina?! – levantou-se me repreendendo e segurando o meu braço.

- Pai, já chega! – Paulo se intrometeu. – Eu sei o que vi! Michele diz a verdade!

- Toda essa história parece muito fantasiosa, Paulo! O boto ter engravidado a tua prima e tu ser testemunhar sem fazer nada!

Ai, já dava para imaginar o que vinha a seguir.

- Por favor, tio! Nem comece com tuas insinuações! Já disse que o Paulo não fez nada! Não é ele o pai dessa criança! – falei ao tocar minha barriga de sete meses.

- Zé, já chega! – vovó o repreendeu, mas não fiquei para lhe ouvir. Deixei todos para trás e caminhei até o rio.

Assim que vi as águas claras ondulando, senti um enorme desejo de adentra-las. Caminhei até o rio e o senti abraçar com seu frescor primeiramente meus pés, depois minhas pernas e, por fim, o meu ventre. Eu finalmente estava em casa!

Submergi as águas do rio e me permitir ser parte daquele lugar. Sem que nem mesmo percebesse, senti algo dando voltas a meu redor. Como em uma dança alegre e festiva. Meu boto saudava a mim e ao nosso filho. Toquei-lhe o nariz e aproximei o meu rosto do seu.

- Senti saudade! Você sumiu!

Com um barulho que me pareceu um pedido de desculpas, perdoei-o e me permiti brincar com ele antes de retornar à casa de vovó.

Já era tarde da noite quando uma forte dor em meu ventre me despertou.

- Qué isso, Meu Deus?!

Não querendo acordar nenhum de meus parentes e temendo o que podia acontecer, corri atrapalhadamente para o único local em que me sentia segura: o rio.

Quando finalmente mergulhei em suas águas, me permiti gritar. Meus urros eram estridentes e causavam desconforto até mesmo a mim.

- Deeeeus! Me ajudaaaa!

De repente a água estremeceu ao meu redor e um novo clarão iluminou o céu. Imediatamente a forma humana do meu boto apareceu. Ele se posicionou atrás de mim e com as duas mãos espalmadas sobre o meu ventre eu me permiti ser acalentada por ele. Aos poucos as dores foram cessando e, milagrosamente,comecei a me acalmar. Era tudo mágico nessa relação, o conforto e a segurança que ele me transmitia faziam-me passar por tudo aquilo sem medo ou desconforto.

O boto-homem beijou-me à testa. E naturalmente meu corpo se expandiu, adequando-se a passagem de nosso filho. Com o corpo reencostado no dele,observei-o receber nossa criança em seus braços. Era uma menina.Uma linda menina-sereia. Com calda em escamas azul e roxa, contrastando com a pele rosada. Os dedos das mãos eram perfeitos e ao abrir seus olhos pude ver duas safiras me encarando. Fiquei mais encantada do que assustada, e aproximei-a de mim retirando-a da água. Ao chegarem à superfície, seus pés surgiram e pude ver que minha filha era uma criança perfeita e especial. Uma verdadeira maravilha da natureza e um milagre de Deus.

- Yara! – ouvi-o pela primeira vez falar.

- Como a mãe d’água? – perguntei encarando-lhe.

Ele, tocando-me o rosto, aproximou-se e depositou um beijo em meus lábios. Ainda com os meus olhos ainda fechados, ouvi-o dizer:

- A beleza das águas!

Sim. Ela de fato o era.

- Me diga: qual o teu nome? – supliquei.

- Acir.

- Dolorido? Magoado? – perguntei sem entender por que ele teria um nome como esse. – Por que te deram esse nome?

Ele simplesmente olhou para baixo sem conseguir me encarar.

- Você conheceu o seu pai? – questionei novamente.

- Conheci.

- Ele ainda está vivo? – Recebi uma negativa – Ele era um boto? – Uma afirmativa – E a sua mãe? Ela te criou? – Outra negativa.

Abracei minha menina com força em meus braços. – Tu vais tirar ela de mim?

- Só se você não a quiser. – pude sentir o quanto lhe doía dizer aquilo.

- Eu a quero. – e sem compreender direito o motivo, confessei: - E a ti também.

Ele parecia surpreso, mas não liguei, apenas me aproximei mais.

- Não quero que nos deixe.

- Não quero deixar.

Sorri. Tudo iria ficar bem. Eu tinha a nossa filha. Nossa pequena Yara. Perfeita e bela filha das águas. Ainda não sabia o que seria dela, mas eu a queria comigo e a ajudaria a passar por tudo o que viesse em seu caminho.

Passei a noite na companhia de Acir e o observei com nossa filha. Descobri que poderíamos nos ver durante a lua cheia enquanto ele fosse homem, mas ele me prometeu não se afastar. Disse-me que mesmo nos outros dias viria, sob a forma do boto, pois queria acompanhar cada dia de nossa pequena sereia.

 


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