domingo, 16 de abril de 2017

Prosa no Divã por Leandro Salgentelli: O vento que sopra

Imagem: Reprodução/ Internet 

Qual é a dor mais forte que você já sentiu? Não me refiro às dores de dente ou de cabeça, mas as dores internas. Imagine uma perda, qualquer perda, pode ser de um amor que se findou por incomplacência, pode ser a perda de um ente querido ou de um amor não correspondido. Descontentamento não é permanência, embora muitas vezes pareça não ter fim, mas é justamente aquele sentimento de incompreensão que vai nos motivar a seguir em frente em busca de novas possibilidades para viver uma vida como se gosta.

A dor de perder alguém muito querido assemelha-se a uma pequena morte — mas é uma morte, ainda que ínfima. A dor de uma separação é um sentimento que se dissolve com a chegada de outros prazeres — ou de um novo amor. Já a dor de um amor não correspondido é digerida como falta, ausência de qualidades, de beleza, o famoso “o que falta em mim?”.

Cada um de nós digere a alegria e a tristeza de uma forma muito particular, mesmo que tenha um quê de mais banal nessas duas palavrinhas. Pouco se considera que a alegria e a tristeza estejam ligadas com todo o resto. Uma faz sincronia com a outra. Por mais que rejeitamos que alegria é a renovação de uma tristeza e que, portanto, estão interligados com outros sentimentos como raiva, rancor, mágoa, bondade, delicadeza, amor.

Assim formamos a nossa cultura, os nossos valores, as nossas crenças — que também são moldadas conforme a percepção daquilo que é adepto ou não. Exemplo disso são as relações que temos com os nossos pais — temos mais deles do que se possa imaginar. O certo e o errado que adquirimos, e que passamos adiante, é de acordo com os sentimentos e ensinamentos que tivemos desde a infância.

A tristeza está ligada a alegria, alegria está ligada ao amor e por sua vez o amor está ligado à esperança. Tudo numa redoma. São sentimentos tão abstratos que parecem loucura falar sobre eles. Obviamente que não se pode tocar nesses sentimentos mais puro e verdadeiro construído à sua maneira, mas eles são como o vento que sopra. Você sente em seu rosto, você sente sua energia, você sente seu gelado e seu frescor. Assim como o vento que nos rege está ligado à alegria e a tristeza, também está ligado à vida, que por sua vez faz conexão conosco.

Ok; dei uma bela viajada, obrigado por me acompanhar até aqui, mas essa reflexão foi provocada pelo filme “Divertida Mente”, dirigido por Pete Docter e Ronaldo Del Carmen. Mesmo não sendo lançamento, nos faz voltar a primitividade, quando passamos a descobrir que só os sentimentos mais puros e verdadeiros é que tem a capacidade de nos unir. 

Leandro Salgentelli 
leandro.salgentelli@outlook.com.br

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