sábado, 8 de abril de 2017

Parágrafos, Mai Passos G: Cartas para Lorena





Boa noite lindinhos da Mai! Pois é, Aurora Sob as Estrelas encerrou seu ciclo, mas a coluna continua aqui, firme e forte! Além de mudarmos os contos, mudamos de dia, passamos pro sábado!
Hoje para estrear a coluna, temos um novo conto chamado "Cartas para Lorena" que está lindo demais! Não sei quantos vão ser, mais será mais de um! Deixo com vocês o primeiro conto, vamos ver o que Pedro e Lorena tem a nos contar!



Querido Pedro...
Hoje você vai casar, e eu sei o quanto é injusto eu estar te escrevendo isso.
Sei o quão mesquinha eu vou soar.
Eu poderia ter dito isso a muito tempo, mas a realidade é que eu não tinha coragem, na verdade nem medo existia, eu simplesmente não queria.
Eu sei, sou uma vadia egoísta, mas quem não é?
A verdade é que eu sempre te amei. Todas as vezes, que você dizia “Eu te amo” e eu não falava absolutamente nada, o fato é que eu respondia sim, mas nos meus pensamentos.
Você sabe, eu sei, que não sou de expressar o que sinto, acho essa baboseira de amor tão ridícula que pensei que não serviria para mim, nunca.
Veja, minha mãe me largou ainda pequena com meu pai, que morreu quando eu tinha uns 10 anos, fui criada de lar em lar, passando nas mãos de diversas pessoas diferentes, então eu recolhi todas os sentimentos que poderia sentir por alguém e nunca mais os expressei.
Sei que isso não justifica eu não ter dito antes, mas a verdade é essa: eu não disse. Aceite e lide com isso, assim como lidamos com tudo na vida; a morte, a dor, a perda.
Eu te perdi, e lidei com isso, não foi? Sobrevivi a cada dia sem você, trabalhei, estudei e me formei, vi você casar e ter filhos, porque a escolha de não ter você foi minha. Única e exclusivamente minha. Quer você queira ou não.
Sei que soo cruel e fria, mas a verdade não é essa. Você reparou quantas vezes eu escrevi “verdade”? Pois, é, várias, porque a vida inteira eu menti. Menti pra você, pra mim e para todos que ousaram entrar na minha vida e tentar fazer um estrago. Eu sou assim, e sei que não posso mudar, pois eu não quero, nunca quis. O erro do ser humano é achar que “não temos escolhas” e nós temos, eu tive.
Eu poderia inventar muitas desculpas, porque as tenho, mas não o faço, quero ser honesta pelo menos uma vez, acho que as pessoas deveriam.
Você foi a melhor coisa na minha, simplificando tudo: foi o único a me dar amor, além, claro, do meu pai. Me entendeu nas horas difíceis e me segurou quando caí. Estava lá para zelar sono, e me acordar dos pesadelos. Sempre que precisei de um ombro amigo era o seu que estava lá preparado para receber as minhas lágrimas. Você me amou Pedro, de verdade, de novo.
Me amou como jamais pensei ser amada, mas no fim eu não te amei o suficiente e a vida é muito curta pra recebermos menos do que merecemos, por isso te deixei ir.
Se me arrependo? Talvez, sim, talvez não. É uma dúvida que vou carregar pelo resto dos meus dias.
Sei que sou uma infeliz por estar te enviando isso 15 anos depois, mas eu precisava falar a verdade, não por você, mas por mim.
A vida é curta Pedro, e eu extraí dela tudo o que podia, inclusive seu amor, que sei que nem merecedora era.
Eu te amei sim Pedro, muito. Em algum momento da minha juventude. A questão toda é que não amei suficiente, e escolhi te deixar. A culpa não foi sua, foi minha, e posso assumi-la.
O amor é um pequeno infinito, ele de consome, te preenche e explode. O amor é o tipo de sentimento que não foi feito para ser explicado, ele precisa ser sentido. Que bom que você me deu a chance.
Nunca, Pedro, aceite menos do que você merece.
Aprendi essa lição muito cedo, por isso não fiquei com você. Eu jamais seria o bastante. Não tinha nem amor que bastasse para mim, imagina para você também.
Sempre aceite o que acha merecer, o que quer ter.
Aceite as coisas boas da vida, e conviva com as ruins, porque elas existem.
Não vou te pedir desculpas, nem pelo antes e nem por essa carta. Precisamos assumir nossas responsabilidades. Não te dizer o sentia era a minha.

Viva Pedro e que seja intensamente.
Eu apenas precisava dizer.

Com, amor: Lorena.

***
Olhando para a carta ainda em minhas mãos senti como se eles estivessem em chamas. A carta de Lorena e suas palavras, eram não apenas um choque de realidade sobre a vida e o amor, eram decisões dela sobre o que sentia e me afetou também. A questão é que sempre fazemos escolhas, eles de alguma maneira sempre afetam alguém.
Peguei um papel e uma caneta na escrivaninha do meu quarto, sentei na cadeira em frente e comecei a escrever...

“Querida Lorena...


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