sexta-feira, 31 de março de 2017

Tips&Tricks por Delson Neto: Imersão - Experiências Literárias



Olá, olá, galerinha!
Tudo bem com vocês?


Mais uma sexta-feira e cá estou novamente. Hoje vou falar um pouquinho sobre algo que é extremamente presente no meu desenvolvimento criativo agora: a imersão do leitor e a experiência do mesmo no meio literário digital. Puxando um pouquinho disso, no final tem uma dica INCRÍVEL de lançamento da Editora JBC que tem tudo a ver com maneiras diferentes de inserir quem lê nas entrelinhas da criação. Bora conferir? Bora!




Após um longo tempo trabalhando em histórias do gênero de fantasia épica e fantasia juvenil, me arrisquei na ficção científica, ou no chamado sci-fi cyberpunk (comentei sobre essa aventura toda aqui). Pensando que a história de SHURA, o livro em questão, se passa em uma sociedade moderna e envolta de tecnologia, tava na hora de eu programar a divulgação virtual para esse novo mundo e formas do leitor interagir com tudo que havia naquelas linhas. Se você quer ser escritor agora, já aviso: escrever não pode ser sua única ferramenta na hora de lançar um livro, é a primordial, mas será necessário ter muito mais a seu favor – e a corrida pela conquista dos leitores exige dedicação, empenho, estudo e, pasme, frustração. Sim, são poucas as pessoas que vão te falar sobre esse último item, mas ele acontece e sem a sua presença seria impossível encontrar a melhor solução para que sua história dê certo.


Certo. Eu temos o livro, tudo engatilhado, leitores se aproximando. Como criar uma experiência de imersão na história? Antes, ainda – que diabos é essa tal de experiência de imersão?




 
Na esfera literária maior e intangível no momento para nós que somos autores iniciantes (porém sonhadores, nunca se sabe né) há um mundo de possibilidade$. Veja, grandes escritores têm sites magníficos, como o Pottermore, por exemplo, que aumenta a história encontrada nos livros através de gráficos lindíssimos, mágicos, quizz, jogos e formas espalhadas por toda a internet de criar um vínculo de aproximação do leitor com aquele universo proposto pela autora. Quem não gosta disso? Coisa mais linda do mundo é você conseguir visualizar parte do que imaginou ao longo de uma leitura. Isso é uma experiência de imersão: como o autor viabiliza ao seu leitor um jeito de mergulhar (quase que de verdade) nos detalhes do livro.



Minha curta jornada, até então, pelo meio literário e editorial me fez absorver todo tipo de conhecimento. Um dos mais preciosos foi ter a ciência de que, às vezes, quando a grana é curta e a disposição não, você tem a obrigação de ser autodidata com algumas coisas. Não é preciso nenhum tipo de capacidade extra, superpoderes, ser um X-MEN, ou um ciborgue, não – tem que ter empenho, dedicação e fé no seu trabalho. O resto é preguiça e essa a gente cura assistindo série (inclusive, comecei uma ótima chamada Big Little Lies, assistam). Com isso, fui fuçando na internet programas de vídeo para mexer, de edição de foto, e fui recolhendo todas as informações para criar a imersão dos leitores em SHURA.





Estes vídeos intercalados no meu falatório todo foram produzidos utilizando o programa Wondershare, que é um editor de vídeo MARAVILHOSO. Sério, superintuitivo de mexer! Basta separar ali um tempinho vendo tutorias, ou mexendo nas funções dele, que você aprende a lidar. Ele tem opções interessantes demais: dá para adicionar efeito, imagem, fazer as letras surgirem entre 20 alternativas de animações, colocar som, mixar, tudo em um design super arrojado e simples. Foi com ele que montei toda a divulgação e book trailer das minhas obras.



Porém, meus amigos, depois de aprender a editar você tem que garimpar a internet em busca de elementos que conversem com o universo da sua história – e tentar ao máximo achar alguns que sejam livres de direitos autorais. Isso é importante para que consiga promover, sabe? E se precisar demais usar o trabalho de outro artista, coloca os créditos no final do seu vídeo, ou na descrição. É o que faço quando utilizo músicas – ah sim, a trilha sonora é importante demais para a imersão do seu leitor.




Para [DIÁRIO SIMULADO], uma espécie de spin-off de SHURA aos novos e antigos leitores, eu encontrei fundos animados no YouTube, fontes divertidas com a vibe da história, depois embalei tudo isso com as músicas do The Weeknd (meu futuro marido) e do seu álbum STARBOY. Nesta busca por uma imersão do leitor, eu incluí um áudio da minha personagem. Isso mesmo! A Shura fez um monólogo para os leitores, e possivelmente teremos ainda uma entrevista com ela :D


A experiência de imersão é importante em diversos aspectos. Veja, nós temos a internet em mãos como uma forte aliada. Quantas possibilidades em um só lugar! Basta um clique para estudarmos técnicas novas, para vermos que funciona e não funciona. Trazer isso que é tão tátil ao leitor pode dar boa! E se não der? Poxa, pelo menos você, como escritor, aprendeu um bocado de coisa legal e aumentou a sua própria vivência com a história. Nisso, aprendemos mais sobre nossos cenários, personagens, e tudo acaba agregando à escrita.




Agora, já que o assunto é tecnologia e formas de sentir-se submerso nas histórias que produzimos e naquelas que amamos, nesta semana estreou um dos grandes lançamentos do ano: A Vigilante do Amanhã, ou, no título original, Ghost in the Shell. A adaptação cinematográfica que conta com Scarlett Johansson interpretando a ciborgue Major tem como inspiração o mundo cyberpunk do mangá, longa-metragem e séries de animação japonesa, criados por Masamune Shirow. Ghost in the Shell é uma das franquias mais sólidas da ficção científica, sendo a fonte de onde Matrix e diversas outras obras aclamadas tiraram boas referências. Inclusive, SHURA tem muito dessa criação :D


Sinopse da animação de 1995: 
2029. O mundo se tornou um local altamente informatizado, a ponto dos seres humanos poderem acessar extensas redes de informações com seu ciber-cérebros. A agente cibernética Major Motoko é a líder da unidade de serviço secreto Esquadrão Shell, que combate o crime. Motoko foi tão modificada que quase todo seu corpo já é robótico. De humano só teria sobrado um "fantasma de si mesma". O governo informa o grupo de que o famoso hacker conhecido "Mestre das marionetes", especialista em invadir e controlar o ciber-cérebro das pessoas, está no Japão. Agora, Motoko e sua equipe terão que caçar este criminoso, e vão acabar se envolvendo em uma trama de conspirações, que atinge interesses da alta cópula da política. 


No ano passado o mangá saiu por aqui pela Editora JBC pela primeira vez no Brasil, sendo lançado na Comic Con em uma edição maravilhosa. Agora em 2017 teremos mais uma surpresa na CCXP do Nordeste – Ghost in the Shell: Perfect Book. O livro é uma verdadeira imersão aos velhos e recém-chegados fãs da franquia, e trará um material incrível contendo informações de todo o processo criativo por trás das variadas vertentes da série, desde a animação de 95 ao filme que está agora nas telonas de todos os cinemas ao redor do mundo (e eu tô doidinho pra ver!).


Uma mistura de artbook e enciclopédia, em suas 160 páginas totalmente coloridas são
revelados detalhes desde como os robôs de cada produção foram desenvolvidos, assim
como foram criadas as paisagens, veículos e até as feições de seus personagens. Os
bastidores das gravações do longa estrelado por Scarlett Johansson também são
mostrados. Ghost in the Shell Perfect Book ainda traz uma exclusiva entrevista com
Mamoru Oshii, Kenji Kamiyama e Kazuchika Kise, os diretores de todos os animês já feitos
para a franquia Ghost in the Shell . Eles se reúnem para contar e discutir suas experiências
nas produções que comandaram.


Entenderam agora o poder da imersão?! Fantástico! Os admiradores da obra estavam ansiosos por isso :D


Confiram aqui a capa e o release oficial! Ghost in the Shell: Perfect Book chega às lojas especializadas e livrarias no dia 17 de Abril. Vale muito a pena conferir essa novidade bombástica! Lançamento simultâneo no Brasil e no Japão. É a JBC mandando super bem mais uma vez!



Ghost In The Shell Perfect Book
Páginas: 160
Preço: R$ 79,00
Formato: 21,0 X 29,7 cm
ISBN: 978-85-457-0288-7
Pré-lançamento: 13 de abril de 2017 (durante o evento CCXP Tour, em Recife)
Previsão de lançamento nacional: 2ª quinzena de abril de 2017





É isso aí, galera!
Espero que tenham gostado e até a próxima :D

domingo, 26 de março de 2017

Prosa no Divã por Leandro Salgentelli: O que as mulheres guardam na bolsa


Eu estava na fila do banco para pagar uma conta quando uma mulher que estava à minha frente começou a mexer na sua bolsa, acredito que estava à procura de um boleto. Dei um de zombeteiro e olhei dentro para ver o que a impedia de encontrar o bendito papel, seriam as maquiagens, os perfumes, as coleções de batons ou seria o absorvente que a impedia de virar a bolsa no balcão da funcionária do banco? 
Então me lembrei dos filmes de Hollywood em que as mulheres abrem as bolsas e dentro encontram-se brincos, creme labial, creme para as unhas, espelho, batom; enfim, tudo aquilo que o mundo real não apresenta.
Quando olhei o que tinha dentro só confirmei o que já intuía: são raras as mulheres que colocam dentro da bolsa produtos Jequiti. Na verdade, o que tinha não era muito diferente do que vejo na bolsa da minha mãe, da minha cunhada, da minha tia. Havia papéis e mais papéis. Ah, e uma coleção de canetas também vi.
Ela jurava de pés juntos que o boleto estava ali, mas não admitiu em nenhum momento que a quantidade de documentos, de contas, de contratos e de papéis rabiscados estava a impedindo de encontrar o bendito. E analisando o ocorrido, devia ter conta até do ano passado.
Era uma mulher elegante, estava de coque, um Ray-Ban pendurado em sua blusa branca, calça preta e de salto. Basta observar uma mulher como aquela para indagar: como pode ser tão organizada por fora e dentro ser tão atrapalhada?
De que modo acreditarei em uma mulher se por fora é formosa e por dentro uma estranha? Como amarei uma mulher que usa salto se por dentro não encontra o sapato? De que maneira me casarei com uma mulher que não admite o fracasso? 
Os homens, por sua vez, não carregam bolsas, levam consigo apenas o essencial. São mais simplificados. Não guardam contas, não guardam papéis; têm apenas RG, CPF, cartão de crédito e dois pares de camisinhas. (Os mais tradicionais, que fique claro.)
As mulheres perdem-se delas mesmas. Estão ligadas na tomada 24 horas por dia. Já os homens, dificilmente fogem de si mesmos. As mulheres são frágeis, confusas, ansiosas, verborrágicas, ofegantes. Já os homens são lentos, calmos, por isso se encontram. As mulheres guardam mágoas, lembram-se do dia, mês e ano de cada conta. Os homens esquecem-se das contas, das mágoas, das datas e dos anos. As mulheres colecionam canetas, palavras, sapatos, são tantas. Por isso, tudo que guardam dentro nenhuma delas contam.

Leandro Salgentelli 
leandro.salgentelli@outlook.com.br

sexta-feira, 24 de março de 2017

Tips & Tricks, por Delson Neto - A Memória de um Livro




Hey, galerinha! Tudo bem com vocês?

Nesta sexta pensei e pensei sobre o que falar aqui. Sempre surgem muitos temas, mas uma ida ao sebo esta semana me trouxe um breve devaneio que gostaria de compartilhar na TIPS&TRICKS desta vez – escapando um pouquinho do nosso ritmo que intercala reflexões, criatividade e dicas.

Contudo, creio que possa ser uma reflexão prazerosa também acerca do livro. Sim, do objeto livro. Do livro como recordação, e da memória que deixamos nele. Espero que gostem!




"Às vezes te vejo correndo de um lado para o outro da sala de estar, obcecado com suas obrigações, em busca de criar os encaixes perfeitos na sua rotina. Finjo estar quietinho no meu canto enquanto você se desespera para cumprir todas as metas daquele dia, e por muitas vezes guardo os seus segredos e não revelo as suas frustrações. Você esqueceu de mim, mas está tudo bem, porque eu não me esqueci da sua presença.


Confesso que gostaria de sentir sua pele aquecendo as bordas das minhas páginas, amareladas que estão, e o cheiro de achocolatado que costumávamos compartilhar nas manhãs frias. Agora seu perfume é agridoce, suas mãos frias e solitárias. Ah! Como era bom explorar mundos sempre em boa companhia, por que e como nos tornamos indivíduos tão presos a nossas caixinhas, o que nos fez deixar de ser alicerces?




Há marcas em mim que provam que você já esteve aqui. Nos dias de chuva, sem querer a água respingava nos inícios dos capítulos, já que eu era seu companheiro inseparável até nos trajetos de ônibus pela cidade. Quando você se alimentava, eu também saciava minha fome. Olhe quantos grãos de bolacha se encontram na brochura. Sem falar nas datas, dedicatórias, letras cursivas assinadas em minhas primeiras páginas, comprovando a quem eu pertencia. A quem eu sempre pertencerei.


Tem dias em que o vejo chegando animado, cheio de coisas para contar e mostrar. Fico enciumado com aquelas capas brilhosas e folhas com perfume de novidade, então engulo essa angústia e me volto aos colegas que, assim como eu, anseiam pelo dia em que você irá nos tirar de novo desse casulo frio. Esses dias o sentimos percorrendo nossos nichos, e com uma facilidade incrível, dois de nós foram levados, sabe-se lá para onde, e nunca mais voltaram. Será que meu destino também será este caminho sem volta? Não sei se gosto de pensar sobre a possibilidade de morar em outro lar, de contar minha história, recomeçá-la pela décima vez, nas mãos de um novo leitor.


O estranho da saudade é querer o que já se foi e esquecer-se por completo que ainda há muito vir.



Quem sabe eu devesse desejar que você me tirasse daqui. Qualquer lugar seria melhor do que fitar o horizonte de janelas sem fim, uma vez que olhar para seus olhos de novo tenha se tornado uma tarefa tão impossível. Gostaria de ultrapassar essa barreira de lembranças e dizer adeus, mas como me despedir se estou fechado entre os volumes que dão sequência a minha história? Como dar-lhe um beijo de “até logo” se me restam apenas palavras prensadas entre páginas, travessões escondidos na quietude de minhas linhas?"


Está ficando tarde. Mais uma semana se passa e você aí, neste computador, enquanto eu grito meus delírios de esperança. É fácil ser leitor: ao terminar a história, basta fechá-la e partir para a próxima, ou sequer partir e focar em narrativas mais interessantes da vida alheia. Difícil é ser livro. Nascer um livro é viver aventuras e logo depois guardá-las para si mesmo, até que alguém se aproxime de volta, com vontade de tê-lo entre os braços. E até que este dia chegue, nos resta esperar. Não temos como partir. Ser livro é permanecer, ser leitor é viajar. E eu permaneci."
 
Texto: Delson Neto

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Até a próxima! o/

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domingo, 19 de março de 2017

Prosa no Divã por Leandro Salgentelli: Minha sexualidade não lhe diz respeito


Outro dia assisti a um relato de um garoto, pelo YouTube, em que falava sobre quando assumiu ser homossexual. Ele é um Youturber famoso, contou que teve que sair de casa porque o pai não aceitava, contou que sua mãe saiu junto porque não ia abandoná-lo. Chorando, contou também que depois quatro anos vou pra casa, acreditando que o pai tinha superado o fato de ser gay, mas foi surpreendido, pois seu pai voltou a ofendê-lo com discursos tão corriqueiros “vai procurar seus machos”, “seus putos não estão te esperando?”, enfim, se culpou por fazer seus pais sofrerem. Nada daquilo me comoveu. 

O Brasil é um país machista, como se sabe. Há pais que expulsam filhos de casa porque descobrem o que no fundo já intuíam. Deve ser difícil para alguns pais descobrirem, por conta da cultura que eles vieram, mas deve ser mais difícil para o garoto ou garota falar sobre sua sexualidade. Enfim, entendo os dois lados.

Sei que é um assunto delicadíssimo, mas o que não entendo é essa necessidade de se auto-afirmar, o famoso “sair do armário”, o famoso “não escolhi ser gay”. Dramático demais. Não acredito que alguém nasça gay, como também não acredito que alguém nasça homem ou mulher. Acredito que as pessoas nasçam com um pênis ou com uma vagina (e não faz diferença alguma ter um ou outro antes da puberdade). O que nos define — mesmo — são os nossos medos, as nossas angústias, as nossas vontades, os nossos desejos, o resto é especulação. 




Até hoje minha família especula sobre minha vida sexual. Um garoto sensível e que escreve poesia? Hum... muito estanho. Ou quando aparece alguém repentinamente e pergunta se estou namorando. Deviam reformular a pergunta: você está namorando garotos ou garotas?

Por trás das perguntas aparentemente ingênuas há intenções, isso para mim sempre foi muito claro. Embora não ser da conta de ninguém, optei nem pelo sim nem pelo não. Deixo a especulação dos outros dizer por mim. A verdade é: eu nunca me assumi porque não tem nada que tenha que ser assumido. Sou o que sou. Eu me relaciono com pessoas. E isso para mim é mais importante que rótulos.

Quanto a você, garoto do YouTube, em vez de lamentar pela falta de compreensão do seu pai, por que não segue em frente? Por que insistir atenção de alguém que o despreza? Um dia ele vai se arrepender, tenha certeza, mas enquanto isso não acontece, vai viver, vai ficar ao lado de quem te quer bem, de quem te faz sorrir. Você dá conta de si mesmo. Tem 25 anos nas costas, é independente, tem seu emprego, tem amigos, pare de fazer a linha “não escolhi ser assim”. Acorda. Salve-se dos seus traumas. Nem que para se salvar precise sair de casa, outra vez.

Leandro Salgentelli 
leandro.salgentelli@outlook.com.br

sexta-feira, 17 de março de 2017

Tips&Tricks por Delson Neto: Sci-fi - Um Mundo de Possibilidades



Heey, galerinha! Como estão por aí?


Hoje é aquele dia que falo um pouco na minha coluna TIPS&TRICKS sobre o processo criativo e construção de histórias, sempre pegando algum enredo meu como exemplo e o aproximando dos leitores ;)

Nesta sexta vamos deixar a fantasia medieval um pouquinho de lado – e falar sobre ficção científica, ou como abreviamos: o sci-fi. Até onde vão os limites da inovação e da proximidade com a realidade neste gênero?

Então senta aí, segure firme na cadeira porque vamos atravessar fronteiras, indo ao universo SIMULADO do meu cyberpunk Shura e ao espaço do mangá Knights of Sidonia (EditoraJBC).



Antes de tudo, é legal nos situarmos: acreditem ou não, apesar da grande expansão desse tipo de história, ficção científica é considerado um subgênero da literatura fantástica! Sim, sim, ela se “desmembrou” da fantasia, e por muito, muito tempo, não foi bem-aceita por críticos lá no seu surgimento. Alguns viam o sci-fi como algo raso, amador e mal feito. Mas é aquele ditado, aceita que dói menos, porque ficção científica se tornou algo gigantesco e que invade as artes da literatura ao cinema.



Fonte: Google Imagens

O sci-fi pode ser dividido de duas formas: hard e soft sci-fi. Nisso já podemos nos embrenhar pelos enredos que vou comentar aqui. O hard sci-fi se limita ao desenvolvimento e existência da tecnologia no cenário futurista em que, normalmente, essas histórias são ambientas, deixando as relações humanas e profundidade nos personagens como segundo plano. Já o soft traz à tona as inter-relações sociais e emocionais dos protagonistas e afins. Além disso, existem diversos arcos de possibilidades dentro da própria ficção científica: temos subgêneros para retratar de tudo, de sociedades distópicas a manipulações genéticas, steampunk, dieselpunk e enfim o cyberpunk, que é o que vem a seguir! :)





'Nova Avalon é uma cidade consumida pela tecnologia e as malícias da mente humana. Em meio a um cenário futurista, Shura Lee Johson procura maneiras de sentir-se viva e dedica-se de corpo e alma ao seu trabalho em um departamento secreto da polícia federal. Entre uma Simulação e um shot de tequila, Shura desvenda não só os avatares psicológicos dos criminosos apontados pelo Sistema, como também revela a sua própria melancolia.
Abra a sua mente para as possibilidades - pois nada é real!'


Tanto meu livro Shura, quanto Knights of Sidonia se enquadram no cyberpunk – o que define este arco da ficção científica é, em suma, cenários com alta tecnologia e um modo de vida melancólico, sujo, e com baixa qualidade de vida. Histórias cyberpunk costumam ter um mundo bem futurista, políticas diferentes e trazem assuntos permeados de malícias humanas e possibilidades de integrar homem à máquina, especificamente ao cyberespaço. Em Shura eu explorei os limites da mente e novas realidades, mas afinal, o quanto disso pode ser aplicado em nossas vidas?




Shura se passa nos anos 2000, a ideia é que esse tempo desenvolva certo futuro “nostálgico”. Veja bem, se você é da geração dos anos 90 e de antes, sabe bem que havia uma crença forte que os anos 2000 seriam revolucionários a ponto de ter carro voando! Então por que não pensar nessa possibilidade? E se o passado tivesse sido mais futurístico? Com isso, o leitor identifica ali uma referência ou outra de coisas bem táteis. Acho que, quanto escritor, é importante essa empatia. Se o conteúdo fica muito distante do leitor, a história torna-se um tanto quanto cansativa. Isso pensando em histórias atuais e leitores atuais, é claro!



Podemos considerar que a história é estruturada em soft sci-fi, pois sem querer – juro – acabei explorando a mente da personagem muito além do que previa! Shura é uma agente do Departamento de Previsões Criminalísticas, pense na responsabilidade. Ela vive quase que de modo automático, regada a bebidas, cigarros e baladas após o expediente. As tecnologias ao alcance dela são absurdas, mas não tão distantes. Por exemplo, lentes de contato que não só servem para (mudar a cor do olho) enxergar longe, mas fotografar, criar vídeos e afins; nosso corpo como fonte de energia elétrica, hologramas… São exagerados, contudo, plausíveis se pesquisamos nos lugares certos!




Às vezes, quando pensamos em um gênero literário específico, quase que eliminamos quaisquer chances da história abordar romance e outros temas. Em Shura, temos o desenvolvimento de uma personagem LGBT e com uma ex-namorada que lhe gerou alguns traumas. É interessante pensarmos que, por mais distante que determinadas coisas pareçam em cenários futurísticos, a nossa condição humana ainda é muito semelhante: todos temos as nossas cicatrizes, independente do mundo que gira ao nosso redor.





A história segue as aventuras de Nagate Tanikaze, que viveu na camada subterrânea de Sidonia desde o nascimento, criado por seu avô. Nunca encontrando ninguém, ele treinou em um velho simulador de piloto Guardião todos os dias, tentando dominá-lo. Após a morte de seu avô, ele é encontrado pelo resto da população e selecionado como piloto Guardião, na esperança de defender Sidonia do ataque do Gauna usando suas habilidades de combate em circulação.


Knights of Sidonia é uma ótima pedida para quem deseja cair em uma aventura sci-fi. O mangá tem sido aqui no Brasil pela JBC e está atualmente no volume 8. É vendido em livrarias e lojas especializadas, mas você pode assinar lá no site desde o 1ºnúmero! E para quem é fã de animação: tem 2 temporadas na Netflix. Com a utilização de computação gráfica (que eu particularmente não sou muito fã) temos cenas de cenários, principalmente, de encher os olhos! Vale a pena conferir, eu estou agora na primeira temporada! ;)




Aqui somos levados ao espaço, então já dá pra saber que a coisa vai ser bem louca. Pense: naves espaciais, alienígenas gigantescos, mas uma trama excelente. A sociedade em Sidonia vive e respira tecnologia, contudo, vemos algo bem presente em nossa sociedade atual – a quebra de gêneros, de raças e fronteiras. Sim, temos personagens nesse mangá que não possuem gênero definido! Sendo muitas vezes referidos como meninas, outras como garotos, e isso é muito, muito interessante, ainda mais se pensamos que toda essa ideia surgiu no Japão! O mangaká e autor Nihei Tsutomu mandou bem nessa escolha de plot!

O que é interessante dentro das possibilidades da ficção científica é também a oportunidade de explorar ideias visionárias. Em Sidonia, os seres humanos devido a escassez de alimentos, avançam ao ponto de conseguir realizar fotossíntese!! Sim, incrível! Isso cria um elo entre expectador/leitor e a história, afinal, todos sabemos do que se trata a fotossíntese, o que muda aqui é a curiosidade que criamos para entender como funcionaria em humanos. Além de que a edição da JBC está impecável no mangá, logo o meu chega e postarei fotos :D




Então mesmo para quem não gosta do gênero, ou tem medo de arriscar: vamos abrir a mente para o novo! Quem sabe as histórias incríveis que nos esperam? Vou deixar aqui embaixo o link de Shura para conferir – até o dia 31 a versão beta da história está na íntegra no Wattpad, depois disso, sairá em versão física e ampliada pela Editora Sekhmet, que agraciou a obra no concurso #20k_20 dias do Wattpad <3


Espero que tenham curtido e até a próxima! O/


Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Knights_of_Sidonia

 


domingo, 12 de março de 2017

Prosa no Divã por Leandro Salgentelli: Hinode - Lavagem Cerebral



Há algum tempo, um conhecido me chamou no Facebook para fazer uma proposta. Ora, o que será, pensei com meus botões: será que é agora que ficarei rico? Passei o número do celular para ele (confiando em sua honestidade) e horas depois começou a mandar mensagens pelo WhatsApp falando sobre uma marca de produtos cosméticos que, sendo um associado, garantia 100% dos lucros. Foram dois dias tentando marcar uma reunião. A insistência foi tanta que no terceiro dia incorporei o Drácula das trevas e disse: “Meu querido, obrigado por pensar que eu, um reles mortal, fosse se interessar pelo incrível trabalho que vocês realizam. Tenho três colunas para abastecer semanalmente, meus trabalhos acadêmicos estão todos atrasados e meu cachorro chora por atenção, você entende não é mesmo?”. Insistiu mais um pouco dizendo que não era pirâmide. Então incorporei o vilão de vez parei de responder suas mensagens pelo WhatsApp. 

Duas semanas seguintes encontrei outro conhecido na rua e papo vai papo vem, começou a falar sobre uma marca que por ventura não é pirâmide também. Conheço esse discurso, olhei pra ele e dei uma desculpa qualquer e sai correndo. 
Semanas depois, chego ao meu trabalho e meu assessorado me apresenta um senhor aparentemente de boa índole. Desconfiar pra quê? Com uma xícara de café em uma das mãos, conversou sobre crise financeira, sobre o mercado de trabalho, enfim, um senhor interessante e antenado. Aos poucos, com seu jeito todo verborrágico, abriu sua bolsa e começou falar da Hinode. Naquele momento devia levantar da cadeira e finalmente me transformar no serial Killer, deixar claro minha paciência por encerrado e dizer chega. Chega dessa palhaçada. 

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Mas não foi essa educação que tive, então fiz um teatrinho que é o mais perto que posso chegar de um vilão de novela, e ouvi calmamente o jogo pretensioso dessa marca que mais aliena do que ajuda. Primeiro eles chegam com um discurso de milagre, que sua vida vai mudar, que sendo um associado aos poucos vai subir na pirâmide, como qualquer negócio. 
Tem que ser muito iludido para acreditar que revendendo produtos Hinode chega-se ao topo da montanha. Os bem-sucedidos desse negócio são empresários que já têm seu público formado. Enquanto ganham seus milhões, fazem lavagem cerebral com palestras, que aproposito assemelhasse a uma pregação, apontando as formas viáveis para o sucesso e abusando da fé daqueles que têm a esperança de alcançar algum prêmio por mérito. Há inúmeras vias para o fracasso, poucos são para o sucesso. Tem que ser muito pretensioso para induzir alguém acreditar numa palhaçada dessas e mais ganancioso para acreditar. 

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Se por ventura conhecer alguém associado, fique se simpatizar com a ideologia. Mas corra se sentir desconfortável diante dos intercessores de Deus a serviço da própria empáfia. Não encontrei referências, mas assemelham-se a Testemunhas de Jeová ou qualquer religião que assim se anuncia. 
  
Leandro Salgentelli