sábado, 18 de fevereiro de 2017

Entrelinhas por Suellen Mendes: Uma lembrança feliz



Olá, meus queridos! Tudo bem?

Hoje darei início a um novo projeto com vocês: Contos do Destino – As Memórias do Jogo!



Em 2015, publiquei o meu primeiro livro O jogo do Destino, pela Editora Baraúna. O livro é uma trilogia e, pela forma que foi encerrado, rendeu muitos comentários e curiosidade a respeito do que viria a seguir.




O jogo do Destino conta a história de Rafaela, Gustavo e Júlio. Três amigos de infância que acabaram se distanciando após um evento trágico que marcou aquela fase de suas vidas.
Dez anos depois, o trio finalmente fica completo e Rafaela torna-se inesperadamente o vértice de um improvável triângulo amoroso. O livro Contos do Destino, que já está disponível, integralmente, na Amazon e, parcialmente, no Wattpad, surge como um spin-off do enredo principal. Sendo esta uma coletânea de contos baseados nas memórias dos personagens principais, durante a época em que o grupo deixou de ficar junto.
O primeiro conto, Uma lembrança feliz, é narrado por Júlio, que revive o último dia em que ele, Gustavo e Rafaela passaram juntos na fazenda da avó de seus amigos - Gus e Rafa.

Desejo a vocês uma ótima leitura! Semana que vem teremos mais memórias desse trio.




Uma lembrança feliz!
(Júlio)

“Na linha do tempo, o destino escreveu
 Com letras douradas, você e eu...”
(Na linha do tempo – Victor e Léo)
- Assim não dá! Vocês sempre trapaceiam! – A Rafa estava debruada ofegante sobre a grama, enquanto Gustavo voltava para ver se a prima estava bem depois do caldo que demos nela enquanto “competamos” para ver quem chegava primeiro at a margem.
A Rafaela estava certa, sempre trapaceávamos. A pobrezinha não tinha chance conosco!
- Você está bem, criança? – Gus perguntou tentado conter o sorriso.
- Não graças a voc! – a ouvi resmungar.
Rafa agora estava deitada com as costas no chão e seu peito subia e descia ritmicamente tentando colocar o ar para dentro de seus pulmões. Parei tempo demais observando os picos salientes que começavam a marcar o busto molhado do seu vestido. Cara, já havia um tempo que vinha tentando pensar na Rafaela mais como uma irmã, do que como a doce sobrinha do patrão que estava se transformando em uma moça linda perante os meus olhos, mas a verdade que para um garoto de quatorze anos isso no era remotamente fcil, pelo contrrio, o fluxo sanguneo em meu corpo me fazia acordar ofegante noite devido aos sonhos que tinha com ela.
Eu me sentia um moleque pervertido, mas a verdade é que naquela fase não somos muito racionais. O mais constrangedor é que eu ainda parecia o mesmo garoto magrelo, enquanto ela desabrochava; nem mesmo a Rosa, que é três anos mais velha do que a Rafaela, havia se desenvolvido tanto quanto ela.
Tentando recobrar o meu juízo, empurrei esses pensamentos para longe e deitei-me ao lado de Rafa. Estávamos os três escudeiros juntos, como sempre estivemos. Gustavo e eu ladeamos a Rafaela e ficamos assim por um tempo; deitados na grama, com os olhos fechados, e a respiração tranquila acompanhando o ritmo da gua no lago.
- Vocês so uns malas comigo, mas a verdade é que sempre sinto saudades quando preciso voltar para casa. – Rafa disse ainda com a mesma calma que havíamos conquistado minutos antes.
Sua voz suave me fez virar meu rosto em sua direção. Percebi que Gustavo havia feito o mesmo, mas no dei muita importncia a ele, a verdade que estava preso imagem dela – os lbios rosados em formato de coração, contrastando to bem com a pele branca, mas que agora tinha as bochechas rosadas pelo sol.
Instintivamente segurei a mão de Rafaela que estava ao meu lado e, ao mesmo tempo em que Gustavo, confessei: - Também sentirei saudades!
Rafaela sorriu e, simultaneamente, levou minha mão e a do primo, que estavam atreladas às dela, aos seus lábios.
- Vocês so uns fofos! – disse sorrindo, e sem nos dar chance de prever sua mudana de estratgia, levantou-se e comeou a correr em direção ao lago.
- Dessa vez eu vou ganhar!!! – gritou sem olhar para trs.
Gustavo grunhiu frustrado enquanto nos levantávamos e corríamos atrás dela. Apressei-me, e antes que ela pudesse tocar à margem eu já a havia envolvido pela cintura, carregando-a enquanto avançávamos pela gua. Mergulhamos juntos e ao emergir a encarei talvez um pouco mais do que o necessrio.
- Acho que ganhei!
- Na verdade, empatamos! – provocou.
Antes que pudéssemos dizer qualquer outra coisa, Rafa estava no fundo novamente. Gustavo aproximou-se sem que percebêssemos e, ao puxar Rafaela pelas pernas, a fez mergulhar.
Rafaela voltou à superfície em meio a uma crise de tosse e o primo a ajudou a manter o equilíbrio segurando-a; ela, instintivamente, passou as pernas pela cintura dele e os braços pelo seu pescoo. Deus! Eu queria tanto estar no lugar do meu amigo! Porém, isso só poderia ser uma loucura, afinal, ela era uma fedelha quatro anos mais nova do que eu, mas... vai explicar isso para a genética que a havia feito desabrochar cedo demais!
- A verdade é que os dois trapacearam! – Gus que estava com um ar indignado, comentou acalentando a prima.
A relação desses dois era interessante. O Gustavo vivia perturbando-a; por outro lado, era carinhoso, e superprotetor quando qualquer outra pessoa a perturbava. Pareciam muito mais do que primos, eram como verdadeiros irmãos!
- Você quer dizer que ns trs trapaceamos! Somos uma quadrinha de trapaceiros! Perigosos mesmo... – Rafaela continuou com o dramalho por mais algum tempo, o que nos fez rir.
Ficamos no lago até o sol começar a se pr, então decidimos voltar à fazenda. Aquela seria a última noite de Rafaela na casa da avó; no outro dia ela e os pais retornariam à cidade, pois as aulas da Rafa iriam iniciar. O mês havia passado to rpido! Foram dias incríveis! Mas, infelizmente, estávamos condicionados a curtos encontros semestrais, salvo às vezes em que José e Beatriz tinham uma folga e podiam trazer a filha para visitar a avó e os padrinhos.
- Meu Deus! Olhem o estado de vocês! – Dona Luíza comentou ao nos observar com bastante atenção.
Com certeza era um estado deplorável, os três molhados, despenteados e ofegantes devido a nossa corrida à cavalo, do lago até a casa principal. Prevendo a bronca, Rafaela correu em direção av e abraçando-a pediu cheia de carinho:
-.Briga não, Vovó!
- Só estávamos aproveitando nosso último dia antes da Rafa ir embora. – Gus comentou se unindo s duas.

A vovó me olhou com ternura, já amolecida pelo afeto dos netos.

- E você, Jlio, no quer se unir a ns? – perguntou, fazendo-me sentir parte daquela família.
Juntei-me a eles naquele abraço. Depois, fomos tomar banho, mas antes combinamos de nos reunir para jantar com a vov Luíza e os pais da Rafa e do Gustavo naquela noite.
Depois do jantar, Vovó Luíza nos fez sentar na sala para ouvirmos Rafaela tocar. Ela havia começado a fazer aulas de piano uns trs anos antes daquele dia e, desde ento, a vov decidiu que era uma boa ideia manter um piano para ouvir a neta, pois dizia que isso a acalmava. A verdade é que ouvir a Rafa também me acalmava!
A Rafaela começou a tocar Ben, do Jackson Five. Eu não era bom em inglês; mas, desde que percebi que ela gostava de tocar msicas nesse idioma, aceitei o convite da Dona Luíza e passei a ter aulas com o Gustavo e um professor particular que a avó do meu amigo pagava para nos ensinar. Então, não foi muito difícil entender sobre o que tratava a letra daquela música.

“Ben, não precisamos mais procurar
Encontramos o que estávamos procurando
Com um amigo para chamar de meu
Nunca ficarei sozinho
E tu, meu amigo, verás
Que em mim tens um amigo...”

(Trecho traduzido)

Eu sabia que era assim, nós três ramos as pontas de um tringulo inquebrvel. Eu acreditava que, independentemente do que viesse a nos acontecer, estaríamos sempre juntos, pois teríamos uns nos outros verdadeiros amigos. A única coisa que eu não poderia prever é que, no futuro, a nossa amizade seria posta a prova.





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