sábado, 11 de fevereiro de 2017

Entrelinhas por Suellen Mendes: Ensina-me A Amar (Parte 4/4)

Olá, queridos! Como vocês estão?

Nossa! Senti tantas saudades de vocês... porém, peço desculpas pelos contratempos que me impediram de postar o último capítulo de Ensina-me a amar antes. Contudo, hoje, finalmente, vocês poderão conhecer o desfecho da história de Juan e Abigail; mas, para isso, que tal relembrar o que já rolou?

Confira as Partes Anteriores:

Em pleno século XIX, uma jovem – casada – recebe uma carta destinada ao seu irmão recém falecido. Dividida entre a moral e a curiosidade, Abigail opta por descobrir o conteúdo do que tem em mãos. Na carta, Juan – melhor amigo de Alberto – confessa ao amigo o quanto está vivendo uma relação complicada com a esposa, grávida de poucos meses; além disso, o homem (ignorando que quem estará lendo a carta é Abigail e não o irmão dela, Alberto) confessa que ficou encantado pelos textos que a jovem mandava, sob um pseudônimo masculino, para serem publicados no jornal em que ele trabalhava. Movida pelo sentimento de gratidão e respeito ao remetente, a jovem escreve lhe contando o que houve com Alberto. A partir de então, os dois passam a viver meses de relacionamento por cartas; e a amizade que surge entre ambos aos poucos vai evoluindo para algo mais... Para uma paixão que os assusta e os fortalece quanto àquilo que acreditam ser o certo.

Uma paixão que acalenta, um amor que surge naturalmente, uma omissão que pode machucar...tudo isso esteve presente nos primeiros capítulos, até Juan decidir manter-se longe de Abigail e fiel à esposa. Mas e agora, o que irá acontecer entre os dois, e quais as consequências dessas ações para as famílias de ambos?


Descubra, a seguir,  no último capítulo.

Ensina-me A Amar (Final)

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Foram meses sem notícias. Nenhuma carta havia chegado até Abigail novamente, e isso só a irritava. Uma onda de emoções a dominava, o medo de se sentir ridícula e exposta a fez escrever desdizendo o que havia declarado anteriormente: que ela estava apaixonada por Juan! Até aquele momento ainda não conseguia compreender como teve coragem de fazer tal declaração. Ela havia se exposto, de corpo e alma! Contudo, como era apenas humana, um mês após enviar a última carta ela escreveu novamente e dessa vez foi sincera; falou sobre todos os seus medos e inseguranças e confessou o quanto estava perdida sem a amizade e o carinho de Juan. O homem quando leu ambas as cartas se viu confuso, dividido entre o desejo de fazer o que era certo e o crescente impulso de escrever-lhe de volta. A verdade é que Juan não sabia como se livrar daquele sentimento, ele queria poder viver aquela paixão proibida, então lhe escreveu novamente.

No dia do aniversário da pequena Alana, uma carta chegou. Abigail sem conseguir conter a emoção afastou-se do marido e demais convidados, trancando-se na biblioteca. A jovem perdeu-se em meio às palavras que lhe eram destinadas “... queria lhe escrever, mas sabia que não era certo, imoral até, e não poderia lhe submeter a isso... Você me ensinou o que é o amor e o respeito, sua paixão por sua filha motivou-me a ver os meus meninos com outros olhos, eles se tornaram preciosos, assim como a sua pequena lhe é. E, apesar de querer - com todas as forças - viver esse amor que construímos juntos, compreendo que não devo.” Muito mais foi dito naquela carta e Abigail não encontrou forças para escrever imediatamente em resposta àquelas palavras. Voltou para junto de sua família e tentou sorrir mesmo após as lágrimas derramadas.

Três semanas depois, Luís convidou Abigail para uma viagem à serra. O homem, a esposa, a filha do casal e a ama da menina hospedaram-se na casa dos tios de Luís. Ali ele se permitiu viver um momento de romance com a mãe de sua filha. Flores, piqueniques, estórias contadas próximos à lareira...tudo era favorável às suas intenções de seduzir e conquistar. Marido e mulher conversavam enquanto caminhavam pelo terreno, até que Luís a tomou pelas mãos.

- Sei que sou ausente e não tenho sido o mais perfeito dos maridos, mas os meus sentimentos por você são intensos, Abigail. – ao tocar o rosto da jovem com as pontas frias de seus dedos, Luís fitou intensamente os belos olhos verdes que se destacavam ainda mais vivos pela umidade que os acompanhavam.

- Eu quero que me ensines, que me mostres como ser um homem melhor para você. Pois é somente para ti e para nossa família que vivo. Não consigo imaginar como seria viver longe de vocês duas; por isso quero que me ensines...ensine-me a amar exatamente como mereces ser amada!

E naquele momento, com as lágrimas tracejando seu rosto e sendo espelhadas por aquelas que banhavam os traços firmes de Luís, Abigail descobriu a verdade. – Você já o faz, meu querido! Sempre que viajas para garantir o sucesso de seus empreendimentos, mas não deixas de se preocupar conosco; ou quando dizes que estou bonita, mesmo que timidamente; ou quando chegas e vai direto ao quarto de nossa filha para nos encontrar, sei que é porque sentiu saudades e não vê a hora de estar conosco. Agora eu sei... – Com ambas as mãos a jovem aproximou os lábios de Luís dos seus – Agora eu reconheço a forma de demostrares que nos ama!

Os dois se abraçaram e aprofundaram o beijo.
- E eu também te amo, meu marido!

Em um ato despreocupado, o homem a conduziu à pequena casa construída no terreno para servir de cenário às brincadeiras das primas durante a infância. Ali, ambos se amaram. Abigail finalmente percebera o homem que tinha diante de si. Luís não era apenas aquele escolhido convenientemente para ser o seu marido. Ele a queria e preocupava-se com ela e com a filha; isso sem mencionar que a amava e estava disposto a suplicar pelo seu amor e a felicidade de ambos, coisa que ela sabia não ser comum a todos os homens, pois Helena – uma de suas melhores amigas – vivia lhe dizendo o quanto Abigail era afortunada por ter alguém como Luís ao seu lado. E agora ela finalmente conseguia perceber isso.

Naquela noite, Abigail esperou Luís adormecer e então criou coragem para escrever uma última carta. Já era a hora de se despedir daquela fantasia que durante meses lhe pareceu ser a única verdade.

“Meu querido Juan,

Finalmente consegui lhe responder. Não imaginas como suas palavras mexeram comigo na última carta que me enviastes. A alegria novamente se fez presente ao perceber que não estava sozinha em meus sentimentos. Contudo, a culpa e o medo prevaleceram durante um bom tempo.

Na carta, perguntastes se me sentia satisfeita por saber que lhe levei ao limite, devo confessar que sim, pois também me levastes. Porém agora, consigo entender o que me dissestes sobre como aprendestes a amar e respeitar a sua família graças a paixão que compartilhamos. Preciso confessar que fiz exatamente o mesmo. Hoje o Luís me provou isso.

Juan, obrigada por ter me feito sentir amada. Foi graças a esse sentimento que criei coragem para ser alguém melhor, mais valente. Durante muito tempo, suas cartas foram o meu universo paralelo; por meio delas, pude sonhar e viver em um mundo de desejos e esperança, porém já é hora de deixar os sonhos e viver a realidade. E a realidade é apenas uma: nunca poderemos ficar juntos!

Confesso ainda achar que, se de fato existe essa história de almas gêmeas, deves ser a minha metade errante (como te disse anteriormente); porque nunca encontrei alguém tão igual a mim. Sem dúvidas, és a minha outra metade... Entretanto, essas metades precisam se manter distantes...quem sabe não seremos mais felizes assim?! Sem precisar destruir nossas famílias. Quem sabe com o tempo seja mais fácil de entender a razão de tudo isso. Mil vezes já me perguntei o porquê de Deus ter nos permitido viver algo tão intenso e, sem dúvidas, verdadeiro; porém agora acredito ter encontrado a resposta: ambos precisávamos aprender a amar. Amar um ao outro, amar aqueles que são próximos a nós, mas principalmente amar a nós mesmos. Só lamento nunca poder te ver pessoalmente. Entretanto, acredito que será melhor assim... é mais fácil esquecer de um rosto que nunca existiu... Porém, o mesmo não acontecerá com suas palavras, nunca poderei esquecê-las; pois, apesar de não guardar nenhuma de suas cartas, tudo o que me dissestes está gravado dentro de mim, em meu coração.

E é por tudo isso, Juan, que te agradeço. Obrigada por me fazer alguém melhor, obrigada por acreditar em mim mesmo quando eu não acreditei; obrigada por ser o meu apoio; obrigada por me mostrar que sou especial; obrigada por me fazer valente; obrigada por priorizar a sua família; obrigada por me mostrar como fazer o mesmo pela minha; obrigada por me amar e por me ensinar a verdade por detrás desse sentimento; e obrigada, principalmente, por ser a minha paixão...aquela lembrança bonita que guardarei para o resto de minha vida.

Cuide-se, querido!
Eu amo você!
Abi.”

Juan enxugou as lágrimas que derramavam incontritas após ler a carta de Abigail. Ele sabia que ela estava certa, e ao ver a tinta da caneta manchada pode perceber o quanto havia sido difícil para a jovem escrever-lhe aquelas palavras; foi por isso que em um esforço hercúleo decidiu respeitar-lhe a decisão. Dobrou o papel e guardou-o no envelope, que levou até a gaveta, juntando-o aos demais. Desamarrou a fita que unia as cartas que Abigail lhe enviara, pousou o novo envelope ali e refez o laço, acomodando a pilha novamente na gaveta. Em seguida, trancou-a a chave e levantou-se indo em direção à janela. Olhou para o horizonte que se estendia perante si e sussurrou: “Eu também nunca me esquecerei de você.” Juan secou o rosto, e ao ouvir a risada de seu filho mais velho, olhou para baixo de modo que pode ver Maria e os meninos no jardim. O homem foi subitamente tomado por amor e gratidão.

 “Obrigado, Abi, por me ensinar a amar!” Em seu íntimo ele pedia a Deus que um dia aquela mulher pudesse entender o bem que suas cartas, e a paixão que sentia por ela haviam lhe feito.

Ao abotoar o paletó, Juan desceu as escadas com o intuito de unir-se à sua família.

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8 comentários:

  1. Você está escrevendo um conto no blog? Que demais ❤ vou ler o primeiro episódio então, portanto vou passar batido por esse, afinal, não quero spoiler, kkk

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    1. Oi, Aline! Tudo bem?
      Entrelinhas é, basicamente, uma coluna de contos e romances; então tem algumas coisas interessantes postadas aqui. Espero que as histórias lhe agradem! Tenha uma ótima leitura!
      😘😘

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  2. Oi!
    Não sabia que esse conto estava sendo postado aqui no blog, pelo sinopse parece uma trama muito boa e fiquei doida pra saber o que acontece com os correspondentes. Vou correndo ler a primeira parte haha.
    Beijos!

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    1. Oi, Larissa! Tudo bem? O conto foi postado em meados de janeiro e fevereiro.
      Espero que a história a agrade!
      Beijinhos!

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  3. Oiee ^^
    Não poderia ter escrito um final melhor ♥ estava começando a achar que ficaria curiosa para sempre...haha' só agora fui ver que o capítulo final tinha sido postado aqui. Adorei, apesar de ter torcido por Abigail e Juan desde o começo...hehe' mas entendi o porque de tal desfecho, e achei lindo!
    MilkMilks ♥

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    1. Oi, Dryh! Minha linda, muito obrigada por deixar seus comentários nas postagens e por ter acompanhado cada capítulo. Eu vi sua torcida pelos personagens a cada novo texto. Desculpe ter feito você esperar por tanto tempo pelo desfecho, mas tive alguns problemas pessoais que me deixaram um pouquinho afastada, mas já estou de volta e com força total! Espero que a nova antologia (Contos do Destino) também lhe agrade.
      Beijinhos!

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  4. e terminou.... :')
    Então... o que eu posso te dizer???
    Confesso que quando começou, lá na primeira parte, tive um certo receio do que viria, já que seriam em 4 partes. Fiquei achando que poderia ser tudo rápido demais (e acho que até comentei isso em alguma das partes), mas não foi... Tudo veio no seu tempo certo e mesmo me deixando super curiosa com quantas cartas eles mandaram entre si durante todos os meses que se passaram, você conseguiu colocar o necessário no texto para que eu entendesse os personagens e até torcesse por eles.
    Eu estava com um certo medo de como você iria terminar a história. eu queria o casal feliz e, inevitavelmente juntos, MAS como seria isso sem estragar tudo? Fazer os dois errarem com a família iria diminuir os personagens, matar os outros dois inocentes só para que eles ficassem juntos seria crueldade demais e estragaria a história, com certeza.
    Adorei a forma como você encerrou. Eu fiquei querendo mais e ao mesmo tempo sentindo que tive o necessário para me convencer de que sim, é um bom final. Aprender a amar é tão importante... e acho que talvez, é bem mais importante do que apenas ficar juntos.
    Amei!!!!!
    Mais uma vez, parabéns!!!!
    Beijinhos,
    Lica

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  5. Olá,

    Eu não conhecia o blog e não sabia que você publicava um conto. Achei bacana a ideia e a apresentação do conto, a sinopse me chamou bastante a atenção, vou ler as partes anteriores!

    → desencaixados.com

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