sábado, 24 de junho de 2017

Nua, por Mai Passos G: O estar em estado de paixão. A síntese sobre a banalização do amor.


Eu estava conversando com minha irmã sobre relacionamentos, já que aqui em casa eu sou a única que tive apenas um namorado, e depois disso nunca mais quis namorar. Sou a filha do meio, entre as meninas, e a cobrança de encontrar alguém com quem possa, supostamente, dividir a vida, sempre rola. Afinal, com 25 anos “eu deveria” estar em um relacionamento estável com um cara, já planejando casamento e filhos, a questão é: eu não quero isso pra mim. Não agora, não quando tenho tantas outras coisas para viver, experimentar e fazer.
Sempre quando assunto é esse, eu penso em quanto o amor esta banalizado. O quanto é fácil olhar para uma pessoa e dizer “eu te amo” sem nem ao menos saber o que é o amor, e o que isso significa. Qual seu verdadeiro significa. Isso pode vir a soar meio “amargo”, mas nós precisamos ser sinceros: alguém , aqui, que está lendo esse artigo sabe o que significa o amor? Qual a responsabilidade que sentir isso trás?
O grande problema do ser humano confundir “estar apaixonado” com “amar” uma pessoa, precisamos diferenciar isso, até porque, amar, no sentido romântico da palavra, está acima de muitas coisas que estamos dispostas a aceitar pelo outro.
Sempre li, desde de garotinha, que existiam diferenças entre esses estados, de estar apaixonado e estar amando alguém, o amor ele é mais sereno, calmo e nunca vem de sofrimento, paixão de em sua origem do latim ‘passio’ significa “Sofrer e Suportar”. Nunca entendi o que as pessoas queriam dizer quando separavam a palavra “paixão” da palavra “amor” com o tempo, e com o amadurecimento, pude, enfim, entender o que aquelas explicações significavam.
Paixão é o estado de euforia, desejo e vontade de estar com alguém. É sentir faltar, é pensar, sonhar e querer aquela pessoa por perto. É muitas vezes, cegar-se para defeitos. É viver em estado máximo de alegria, de querer todos os dias ver a pessoa, estar perto, sentir o cheiro, o abraço, o carinho. É querer cuidar. A paixão te faz desejar sentir tudo isso e mais um pouco, mas ela também vem acompanhada de sofrimento. Você se apaixonar por alguém, mas correr o risco que de jamais ser correspondido. Paixão vem carregada de sofrimento, de dor. Ela te parte ao meio, te racha, e te joga ao vento espalhando seus cacos, e no fim você precisa junta-los. A paixão te leva aos mais extremos da angustia humana. Paixão inflama, queima.
Amar alguém está além de estar apaixonado, quem nunca ouviu a frase “Não é porque duas pessoas se amam que elas vão permanecer juntas?”, uma frase nunca teve tanto sentido como essa. Amor está em renunciar a estar com alguém quando você sabe que não tem a capacidade de dar o mesmo amor. O Amor está em aceitar erros e acertos, qualidades e defeitos, e mesmo assim querer aquela pessoa como ela é. Amar está em ceder para ver o outro feliz, amar consiste em desejar que aquela pessoa seja feliz, mesmo sem você. O Amor não tem lugares no pódio, não é egoísta. O Amor em sua grande maioria renuncia. Amor luta e aceita a derrota se for o melhor. Amor sempre busca o melhor, o bem, a calmaria. O Amor, pode sim te destruir, mas ele salva também. O amor está presente nos pequenos detalhes, não é preciso dizer “Eu te amo” para amar alguém, é necessário apenas senti-lo. Amor não pede provas, nem gestos. Não obriga. Amor quando é amor, é visto, mesmo no silencio escuro.
As pessoas passaram a banalizar o amor.
Dizem “Te amo” se sentir.
Dizer ser “amor” quando não é.                                                                         
São egoístas, e prendem. O amor liberta. Amor não é prisão. Amor é liberdade.
Amor é deixar ir e aceitar o amor do outro, mesmo que ele não volte.
O Amor da sua vida não é aquele que permanece. O amor da sua vida é aquele que vem e muda tudo, toda a sua vida. Que te transforma no melhor que pode ser. O amor não precisa ficar para provar ser ele, ele precisa apenas existir e deixar suas marcas mais belas.
As pessoas banalizaram o amor ao achar que ciúmes e amarras são provas dele. Banalizaram quando disseram “te amo” sem amar, sem sentir, sem entender, sem compreender. O amor não é apenas romântico. O amor é o estado de espirito.
O Amor estar em brigar com a minha irmã, mas passar a madrugada no hospital com ela por causa de uma crise de asma. É brigar com ela, e mesmo assim continuar ao lado dela enquanto a dor extrapola o corpo e transforma-se me lagrimas. É ouvir tudo o que ela tem a dizer, e tentar ser o melhor quando ela precisa.
O amor está em vencer seus medos de cemitérios para apoiar sua prima quando ela perde alguém que ama. É estar lá, mesmo quando ela não conta com você.
O amor está em renunciar toda a minha carreira de escritora, para fazer dos sonhos dos meus pais uma realidade, mesmo que isso custe o meu, e fazer isso com o coração, sem remorso, sem dor, sem cobranças. Fazer porque quer, porque sente, porque ama, e nada no mundo é melhor do que ver essas pessoas felizes.
O amor está em entender que você ama suficientemente alguém e deixar que ele saia de sua vida, mesmo quando você quer ao seu lado. É acompanhar a felicidade dele com o seu verdadeiro amor e estar feliz por eles.
O amor está em tudo aquilo que se pode fazer de coração, sem arrependimentos, sem julgamentos. Fazer por fazer. Porque quer.
Não banalize o amor.
Não diga amar quando não sente.
Não confunda paixão com amor e se anule.
Não deixe que a falsa ilusão de amar alguém te controle.
Todos merecemos sermos amados.
Sempre.
Mai.



sexta-feira, 23 de junho de 2017

TIPS&TRICKS por Delson Neto: Perfeita Ilusão - Há glamour na publicação?

Hey, galerinha! Tudo bem com vocês?

Hoje trago algo para pensarmos um pouco juntos, mesclando o que serviu de base pra formação do meu conto “Quem é Helen Books?” disponível para leitura gratuita no Wattpad.

Muito é sonhado (e dito) a respeito de ser um autor publicado: noites de autógrafo, nossa história na prateleira das livrarias, centenas de leitores procurando pelos nossos exemplares. Contudo, muito também passa despercebido – a trajetória de cada um, a batalha diária para alcançar novas pessoas e o elo que une todas estes obstáculos, a famigerada frustração.





Quando tiramos a nossa história e os mundos que criamos de dentro de nossas mentes, colocando-as sobre o papel e aperfeiçoando cada linha sempre que possível, sentimos o sonho ali pulsante, vívido, pronto para ser espalhado pelos quatro ventos. Nessa hora o lado impulsivo dentro de cabeças tão sonhadoras se encontra em um conflito doloroso, tentando aliar-se ao egoísmo e seu inseparável orgulho – a ideia de “minha história merece ser vista e é diferente de tudo” – e combatendo as forças do bem: a calma, a perseverança e o foco.

A batalha para conter tais impulsos é terrível. Veja, todos nós em posição de escritores merecemos sim que nossas histórias ganhem visibilidade. O trabalho é árduo! Mas será que toda visibilidade vale a pena? Quando chegamos a este questionamento devemos nos perguntar qual é o tipo de visibilidade que ambicionamos. O desespero ao meter os pés pelas mãos é o que irá te arrastar para o mais fundo dos buracos, e às vezes não tem volta. Bem, retorno sempre há, mas ele será muito, muito mais difícil do que a queda.






Cuidado com a frustração: depois não adianta a gente gritar!



 

Respire, jovem autor!” é o que qualquer pessoa devia ter me dito lá atrás, para ser sincero, porém, creio que aprender a lidar sozinho com os próprios medos e impulsos fora necessário. Então, na falta de alguém que te diga isso, estou aqui hoje para te passar tal conhecimento. Ensino aqui os três “R” destinado aqueles que desejam com unhas e dentes ter sua história colocada em páginas amarelas, com uma capa linda e pronto para estar nas prateleiras: Respire, Respeite e Realize.


Respirar é necessário em um sentido metafórico, lógico. O ímpeto criativo e a paixão que temos pelo nosso enredo e personagens nem sempre será a mesma do outro lado. Nós os conhecemos, quem está lendo ainda não, então pense na história que está construindo. Não tem ninguém te cobrando para que ela ganhe forma completa de imediato – a não ser que você já esteja em uma grande editora cheia de prazos, então pare de ler esse texto imediatamente!

Ao inspirar as próprias páginas escritas conseguimos retomar os caminhos da obra, pensar certinho sobre cada etapa. Isso é extremamente necessário para obter um resultado final de real orgulho. Acredite, este orgulho inicial de um manuscrito pronto pode te engolir, e lá na frente você terá uma obra publicada pelo simples desespero de ver aquilo nas suas mãos, o que não garante em nada uma boa história – sacou?



Mantenha o fôlego antes de sair descontando no mundo!

 
Respeitar: seu tempo, sua vida e o livro. Escrever uma história completa, digo novamente, dá trabalho. Você tem que arquitetar todo o seu dia e rotina para que isso aconteça, e a vida não vai lhe poupar só para que seus dedos trabalharem no teclado do computador. Terão dias em que será impossível lidar com o enredo, pensar nas linhas e palavras precisas para terminar um capítulo em andamento. E está tudo bem! Somos humanos, precisamos de algumas folgas, de ar fresco. Esse talvez seja o R mais importante. Tendo essa noção de respeito ao seu próprio ofício, você compreende a grandiosidade do que fez e evita, por exemplo, de entregar o seu livro na mão de qualquer um ou qualquer editora. Há muito gato por lebre nas redondezas, prometem rios e fundos e no final você termina sozinho abraçado na sua obra. Respeite o que construiu: só parta para cima se realmente valer a pena!



Cuidado para não ser iludido - respeite e realize!

 
Realizar: há uma diferença gritante entre realizar um sonho e apenas fazê-lo acontecer. Quando idealizamos o futuro de nossas obras, pensamos alto, mas é importante entender que para chegar ao topo é preciso “suportar as lagartas para que conheça as borboletas”. Ainda assim, é possível encontrar a lagarta certa para desenvolver sua metamorfose. Trace um plano, veja em que lugar você quer chegar e como isso será possível. Realize, não dê o braço a torcer por caminhos fáceis e de boa aparência, as noites em claro merecem um ótimo resultado – não se satisfaça com ofertas “boas”. Mire a realização de seu sonho. 
 

Não se desespere! Fuja das perfeitas ilusões!


Demora para entendermos a necessidade destes três “R”, mas quando nos damos conta, eles acabam surgindo, seja por conta dos traumas no caminho, ou graças a um ombro amigo que te ajudou a seguir adiante. Infelizmente tem diversas garras maléficas prontas para nos puxar pra baixo, disfarçadas com boas intenções, e isso nos deixa cada vez mais aflitos e menos crentes em um mundo belo. Quando desanimar, lembre-se: você tem o poder de criar, então se não há um mundo ideal, crie o seu próprio, forjado nas suas batalhas. Nós caímos, mas conseguimos levantar prontos para novos desafios.

No conto “Quem é Helen Books?” as coisas são levadas para um nível mais extremo: Helen, ou Helena, é uma booktuber que decide rebelar-se contra a onda de editoras disfarçadas de gráficas, rompendo com o sonho da publicação física. Apaixonada por e-books, Helen é a fagulha de uma revolução literária.

O conto está concorrendo no #DesafioMundosParalelos organizado pela Mundo Estranho e os autores mais famosos do Wattpad. Não deixe de conferir e seguir com essa reflexão proposta!






Para finalizar – nesta semana foi aniversário de ninguém mais ninguém menos que o fundador aqui do São Tantas Coisas: Salvattore! O aniversário é dele, mas sou eu quem tem que agradecer por ganhar tantos presentes: a coluna é uma das melhores coisas que aconteceram de 2016 pra cá. Neste espaço aqui para o qual fui convidado me sinto à vontade para desabafar, conversar e me divertir. Salvattore abriu uma porta linda para mim. Só desejo as melhores coisas e energias do universo para você! Que venham muitos frutos de seu plantio feito com muita vontade e luz. Deixem o parabéns de vocês aqui nos comentários!


Por hoje é isso pessoal,
Até a próxima!










sexta-feira, 16 de junho de 2017

TIPS&TRICKS por Delson Neto - DRAGON'S DOGMA PROGRESS & Checklist Mensal

 





Hey, galerinha! Tudo bem com vocês?
Como foram de feriado?



Meu feriado foi de leitura, escrita e descanso. Nesse meio tempo, encerrei o primeiro volume de Dragon's Dogma Progress – um dos lançamentos da Editora JBC neste ano e concedido para a TIPS&TRICKS em parceria!

Como bom amante de obras literárias e universos voltados para o gênero fantástico, já andava curioso pelo mangá quando o vi pelas banquinhas, porém, confesso que a capa não me atraiu de primeira. Ao abri-lo, me deparei com excelentes traços e estava ansioso por esse contato.

Então segura na minha mão e vem comigo explorar esse mundo de criaturas bizarras e dragões maléficos!









SINOPSE – Dragon's Dogma Progress #1

Em uma era longínqua, quando a lei era forjada no campo de batalha com sangue, suor e magia, um jovem guerreiro de coração puro e espírito inabalável irá se erguer para enfrentar a mais horrenda fera que vivera nessa época: um dragão que espalhava morte e destruição por onde passava.

Especificações Técnicas:

Autor: Hirotoshi Hirano
Formato: 12 x 18cm
Número de páginas: 160 págs.
Preço: R$ 12,90 (Bem barato!)
Classificação etária: 14 anos
ISBN: 978-85-69212-23-2 




 

Dragon's Dogma Progress é um mangá ilustrado e roteirizado por Hirotoshi Hirano, sendo baseado na franquia de videogames de grande sucesso da CAPCOM de mesmo nome. Há muitos fãs do jogos e a ansiedade pela história em terras brasileiras era grande. A JBC foi a primeira editora a trazê-lo para cá e fez um ótimo trabalho de tradução, além de uma edição simples – o que auxilia no valor, que está bem acessível se comparado a outros mangás – ainda que bem impressa. Particularmente, eu não conhecia os jogos, mas pelo que vi, o pessoal anda satisfeito com a linha seguida pela história em comparação à narrativa da franquia.


Com apresentações claras do sistema de RPG implantado nos jogos, o leitor que não está habituado – e até mesmo os que já conhecem o role playing game – é guiado através das classes, tais como magos, arqueiros, lutadores, entre outros. Antes da história em si começar há essa ambientação que pode incitar certa estranheza no início, mas vemos que ela é necessária para um melhor entendimento da metalinguagem utilizada ao longo das páginas.




Após este primeiro momento, o ponto de vista é encaminhado para alguns flashbacks do personagem principal: Carrol. O rapaz é um desperto, um humano comum que, ao ser bravo o suficiente pra enfrentar o temível dragão que enfrentava seu humilde vilarejo, teve seu coração arrancado e voltou à vida com uma maldição – a partir daquele instante, estava fadado a um destino infeliz de busca pela criatura que matou seus amigos e familiares. Ou ele extermina o dragão, ou morrerá até encontrá-lo.


Pautado na jornada do herói, a história torna-se previsível. Temos os elementos básicos da fantasia clássica europeia e personagens que neste primeiro volume não possuem grande profundidade psicológica. Creio que a ideia deste mangá e roteiro, de modo geral, não seja criar ligações empáticas com o “elenco”, na realidade, ele é um passatempo aos novos leitores e um presente aos fãs dos jogos e de RPG. Eu veria facilmente um anime adaptado dele, com certeza seria recheado de ação, uma vez que ela permeia todo o enredo, tendo falas rápidas e até um pouco óbvias para quem, como eu, já conhece bem esse mundo dos quadrinhos orientais. 
 





Algo que é de grande destaque neste mangá são os traços – esses detalhes nas transições entre cada um dos 5 capítulos, apresentando o visual dos personagens principais, são lindos! Conseguimos notar o trabalho primoroso para que as roupas nos fossem apresentadas em todos os seus detalhes. As criaturas também são muito bem desenhadas e assustadoras. Há uma página colorida ao final do mangá que nos deixa com um gostinho de “quero mais” por artes bem finalizadas como esta de Elize, uma dos peões(criaturas que servem ao desperto, com aparência humana, mas habilidades misteriosas).



Carrol, "O Desperto", em detalhe



Elize, uma "peão"



 


Para quem gosta de fantasia e quer variar a leitura, Dragon's Dogma Progress pode não ser o mangá ideal para introduzi-lo ao mundo dos quadrinhos nipônicos, porém, certamente é uma obra válida pra ter um entretenimento despretensioso com artes bonitas! :)

O segundo volume já está à venda e é o último da série. Você pode saber onde encontrá-lo para comprar aqui!



CHECKLIST JUNHO/2017


E como em toda segunda quinzena mensal – próximos volumes e lançamentos já estão povoando as bancas e lojas especializadas. JBC sempre trazendo um grande repertório de títulos! No gif a baixo vocês podem conferir os principais mangás aqui o chekcklist atualizado. Bora programar a vaquinha para comprar alguns este mês? <3






Espero que tenham gostado e até a próxima!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Resenha (35/150): Elric de Melniboné - A Traição do Imperador, de Michael Moorcock (Editora Generale) | Por Salvattore

Elric de Melniboné 
Sinopse: A história de 'Elric de Melniboné', o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria, Elric de Melniboné é um ícone excepcional da fantasia de violência, poder, política e guerra. Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la. Pela primeira vez, a editora Generale traz para os leitores brasileiros a tradução dos textos originais da Saga de Elric de Melniboné, sendo este o primeiro livro.


Hoje em dia, vivemos uma época literária onde muitos autores se aventuram, ou tentam, no mundo da fantasia. São reis, magos e cenários que constroem o enredo dos livros, muitas vezes até com um pouco de exagero. Michael Moorcock, é um autor britânico deste gênero, e eu ficou conhecido mundialmente pela publicação de Elric de Melniboné, cujo primeiro livro será resenhado hoje.

Originalmente publicado em 1972 (Sob o titulo de Elric of Melniboné), Elric de Meniboné – A Traição do Imperador, o primeiro livro da série do herói, foi relançado pela Editora Generale no ano de 2014. Nele conhecemos mais a fundo o herói, se é que assim podemos chama-lo, um albino de saúde débil, introspectivo e atormentado, mas mesmo assim o imperador do reino ancestral de Melniboné, uma superpotência em declínio, e servo dos Senhores do Caos, à semelhança dos seus antepassados. Senhores do Caos, são demônios que por muito tempo serviram ou estavam lado a lado com o povo de Meniboné. Hoje esse reino encontra-se em decadência justamente pelos senhores do caos terem se afastado. Diferente de muitos protagonistas de Fantasias, Elric tem características peculiares.

Mesmo vivendo entre um povo cruel, que sempre quis a todo custo o poder, Elric é mais sentimental, e esse sentimentalismo provocaria grandes reviravoltas em seu reino e no seu próprio interior.
Elric é um personagem bastante atípico, onde o leitor fica analisando se ele era apenas um covarde ou alguém que buscava outra forma de resolver seus problemas. Tudo mudaria a partir do grande poder que ele teria ao fazer pacto com o demônio Arioch e se apossar de um poderosa espada. Será que o poder falaria mais alta que o verdadeiro amor? Será que Elric se entregaria as trevas?

Um livro repleto de boas surpresas, e que apesar de ter sido escrito anos atrás, tem uma linguagem de fácil compreensão, graças à tradução feita para esta edição. Não há como não torcer pelo sucesso de Elric em sua empreitada. Não há como não amar cada cenário que a história se desenrola. E por último, como não torcer por um herói que só queria o melhor para seu povo?

Publicado em capa dura pela Generale (Selo da Editora Évora) em folhas amareladas e letras de tamanho acessível, Eric de Melniboné – A Traição do Imperador é apenas o primeiro de uma série, que sempre fez sucesso por onde passou. O segundo volume já foi publicado, e está com uma capa lindíssima como você pode verificar abaixo.

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Elric de Meniboné,é aquela fantasia cheia de ação, momentos tensos, um herói incomum e claro muita magia, seres e universos estranhos. Uma boa dica para quem curte viajar em uma fantasia bem escrita e surpreendente, e que não tem nada de clichê.


O Autor:

Foto -Michael John Moorcock
Michael Moorcock nasceu em Londres em 1939 e publicou seu primeiro romance em 1962. De 1964 a 1980, ele editou a revista de fantasia e ficção New Worlds. Escreveu músicas em parceria com a banda Blue Öyster Cult e fez scripts para filmes e jogos interativos de computador. Um de seus romances, "Behold the man", venceu o Nebula Award; "Gloriana", o Guardian Fiction Prize. E "Mother London" entrou no top Whitbread Prize. Suas obras influenciaram grandes autores da literatura mundial: Neil Gaiman, George R. R. Martin, entre outros.


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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Resenha (34/150): Projeto Grimório, de Mário Resmin | Por Salvattore #EuLeioBrasil


Sinopse: Você já imaginou viver em um planeta pós-apocalíptico, onde não existem os recursos que conhecemos hoje?Agora é a hora de vivenciar como seria, viver sem energia elétrica, sem comida pronta, sem água encanada, entre outras necessidades que temos hoje em dia.Todos vivem em uma aldeia que é sustentada pelas atividades exercidas pelos moradores, onde cada cidadão tem uma função. Certa noite, foram encontrados quatro bebês abandonados em uma casa, no meio da floresta, que receberam os nomes de Wolf, Dragon, Joseph e Poli. Após anos se passarem, essas quatro crianças mostram que são especiais e, com isso, vão ajudando no funcionamento da aldeia, até conhecerem Alben, um homem experiente que viu o mundo antes do apocalipse. Então, ele lhes apresenta um livro mágico chamado grimório, que dará a eles acesso aos seus poderes ocultos e à magia.Mas, para chegar até seus grimórios, os quatro meninos passam por muitos treinamentos e, consequentemente, por muitas lutas com criaturas de outras dimensões. Até chegarem ao seu grande e verdadeiro obstáculo.

Um mundo devastado. Animais domésticos que voltaram a ser selvagens.Cidades fantasmas. Uma aldeia que tenta reconstruir tudo o que a guerra destruiu. Pessoas que lutam por um mundo melhor. Que caçam, plantam e vivem em harmonia. Este é o cenário do enredo de Mário Resmin: Projeto Grimório. Já pensou em viver sem celular? Sem computador? Sem ao menos energia elétrica? O autor imaginou, e trouxe isto em uma distopia que vai te surpreender.

Quatro bebês chegam misteriosamente naquela aldeia, e mudam todo o destino daqueles que os acolheram. Wolf, Dragon, Joseph e Poli são crianças que após conhecerem um mago, descobrem que não são iguais a todas as outras. Poderes ocultos e muita magia rodeariam suas vidas a partir dali. Mas para isso eles precisariam aprender a criar seus Grimórios. Grimório é um livro de conhecimentos mágicos, como um diário de magia, onde seus mestres guardavam cada poder que aprendiam a controlar.  

Escrito em Terceira Pessoa, o livro consegue nos mostrar uma visão geral dos acontecimentos que rodeiam a história. Com uma linguagem relevante, o leitor conseguirá sentir uma proximidade com os personagens descritos no enredo. E essa é uma característica primordial de Projeto Grimório, pois enquanto conhecemos os poderes dos Filhos da Luz, vamos adentrado na vida da comunidade e conhecendo seus costumes.

O interessante do livro de Resmin é que mesmo em meio à um mundo devastado, ainda encontramos um povo que vive em busca de harmonia. Em rodas de conversa, onde os aldeões tomavam seus chimarrões, o leitor conhecerá lendas e costumes do Sul do Brasil, e tenho isso como um ponto positivo para essa distopia. Afinal, é a primeira vez que um livro com foco em crianças poderosas consegue trazer costumes brasileiros para as páginas.

Um grande mal teria que ser enfrentado pelos garotos se eles quisessem proteger quem os amava, e claro proteger a Terra de uma nova devastação. E o leitor participará de todas as decisões, aventuras e surpresas que Projeto Grimório reserva.


Livros mágicos, crianças com poderes especiais, um Brasil vivendo uma nova era e poderes demoníacos querendo dominar a Terra. Este é Projeto Grimório, de Mário Resmin, publicado pela Pandorga Editora. Este livro e nada mais, que a prova da evolução da literatura nacional. O livro é o primeiro de uma série, então tem muita aventura vindo por ai.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Especial Dia Dos Namorados: A Gente Deve Abrir O Coração? | Por Leandro Salgentelli




Uma amiga perguntou outro dia se a gente deve abri o coração para quem a gente ama. Olhei para ela e disse: depende. Depende muito do que você está sentindo. Se o que você está sentindo parece corroer a alma, abrir o coração é, sim, a melhor saída. Ela olhou no fundo dos meus olhos e questionou: “Tá, e como se faz isso?”. Franzi o cenho e não fugi da conversa. Sei lá. Existem formas e formas de abrir o coração. Isso vária de pessoa pra pessoa. Ela, quase chorando, me pediu um abraço. Depois do caloroso afago, sussurrei em seu ouvido: desejar a um amigo que se apaixone é uma tirania das piores. Indagou em seguida: “Pior que ninguém me desejou, apenas aconteceu”. Dei outro abraço na tentativa de consolar, enquanto pensava comigo: filha, você está encrencada.

Quando ouço algo semelhante logo entendo que a pessoa está entrando em desespero. Alguns levam o ato na esportiva. “Cara, estou a fim de você, quer sair comigo?” E diante de um “sim” ou de um “não” a pessoa parte pra outra. Tudo numa boa. Porém, há pessoas e pessoas. Há quem não consiga dizer uma palavrinha diante do afortunado. Eu, como minha amiga, faço parte da segunda opção. Minhas pernas tremem, o cérebro não processa direito, meu coração acelera, falo uma besteira atrás da outra. Dizem que amar é isso: perder-se de si mesmo.

Mas não gosto dessa ideia de “perder-se de si mesmo”. Gosto de estar no controle da situação.

Lembro quando comecei a gostar de uma pessoa (não vou expô-lo, como se vê, não é do meu perfil), a gente se cruzava algumas vezes na faculdade e tantas outras vezes voltando. Por coincidência, descia no mesmo ponto que eu e morava próximo também. No entanto, não me chamou a atenção pela aparência, mas por algo a mais, foi um flechaço do cupido, aquela coisa que acontece sem mais nem menos em que o nosso coração vai para o céu e inferno simultaneamente.

Mas um dia, voltando da faculdade, sentado no último banco do ônibus, vi que estava sozinho à frente de mim, e durante todo o trajeto fiquei pensando em dizer algo, chamar para assistir a um filme, tomar alguma coisa, enfim, escrevi um roteiro, mas sabia que ao descer não teria coragem de falar nada. Dito e feito. Fico me perguntando o porquê a gente se limita, impedindo, por medo, que coisas incríveis nos aconteçam. Pela primeira vez fiz algo: mandei uma solicitação no Facebook e depois mandei um texto dizendo o que estava sentindo.

Por mais que achasse que tudo que escrevi fosse coisa de adolescente, nada mais me importava. Eu estava preocupado com minha essência, ser verdadeiro comigo, com o que eu estava sentindo. Quando mandei a mensagem já não estava mais pensando se estava criando expectativa, se havia uma sintonia entre a gente, se poderia dar certo, se seria correspondido. Eu precisava ser fiel a mim mesmo. E fui. 

Moral da história: me aceitou no Facebook, quase tive um ataque cardíaco porque estava na faculdade, e ele, a poucos metros de mim talvez estivesse lendo o que escrevi, ao ir embora, lá estava ele de novo. Um olhou para o outro, um riu para o outro, ninguém disse nada. E nessa minha cabeça caótica achava que o mundo iria cair se dissesse o que sentia. Mas na real: não acontece nada. 

Não chegamos a ter um affair, mas também nunca mais ficamos naquele silêncio interrogativo, nunca mais separados na fronteira do “oi”, nunca mais separados por um questionamento remoto. Enfim, abrir o coração sempre é a melhor saída. Nem que seja para descobrir o imponderável.

sábado, 10 de junho de 2017

Nua, por Mai Passos G: Uma reflexão sobre amor próprio e a obsessão da sociedade pelo "Perfeito"


A pergunta que deixo para vocês é a seguinte: até que ponto a gente deixa de se amar por causa outra pessoa? A gente se anula?

Muitas vezes, as pessoas são cruéis, a sociedade em si é má. Elas nos rotulam, nos exigem padrões de corpo, cabelo, unhas...e até de pensamentos! Se não formos de uma determinada maneira simplesmente deixamos de, supostamente, valer algo. Na grande maioria das vezes a exigência vem de quem mais nos deveriam apoiar e amar como somos.

Como a coluna sugere, Nua, vai ser para desnudar a nossa alma, e hoje quero, enfim, poder me desnudar de todas as coisas que falaram sobre mim e me fizeram odiar o forma como sou.



Eu tinha nove anos quando comecei a ter peitos, surgiram dois carocinhos, lembro que minha tia me levou ao médico, pois achou que ainda era precoce o crescimento e cogitou até ser algo mais grave, no fundo não era. Meu corpo começou a se desenvolver muito cedo.

Com 11 anos menstruei e meu corpo começou a apresentar sinais de que estava amadurecendo, o que para mim foram muito difícil, eu só era uma menina de 11 anos que queria brincar de Barbie, e jogar bola na rua, nada dessas coisas de ter que usar sutiã, usar absorvente. Aliás, eu odeio sutiã.


Eu era muito nova para lidar com todas as coisas de “mocinhas” que deveriam vir quando eu entrasse na adolescência, meu corpo cresceu mais rápido do que minha mente. Foi um processo dolorido de mudanças físicas, que me incomodavam. Eu tinha 11 e chorava de cólicas! E não era só isso. Eu sempre fui gorda, acima do peso, supostamente, ideal. Não era como as minhas colegas super magras e isso ajudou muito no meu processo de desvalorização. Com todas essas mudanças presentes, as pessoas não entendiam que eu não queria nada aquilo, e passei por muitas coisas, inclusive o famoso: bullyng. Apelidos por causa dos meus peitos grandes, e por eu ser gorda começaram a surgir, era chamada de: baleia, chupeta de baleira, rolha de poço, bola, freewilly; alguns colegas chegavam a dizer que se me chutassem eu iria sair rolando.


Meu cabelo sempre foi crespo e volumoso, e sempre gostei de usar eles soltos, porém para as pessoas aquilo era errado, e ainda criança implorei para minha mãe que os alisasse. Começava aí a minha maior desgraça: passei a me odiar.

Odiava meu corpo, meu cabelo, meus olhos, a forma das minhas mãos e até os dedos dos meus pés, as roupas largas tomaram conta do guarda roupa, cabelo preso passou a ser meu penteado, a unhas sempre roídas pela ansiedade. Eu passei a odiar ser menina, desejava ter nascido um menino ou nem ter nascido, as palavras; elas machucam.

Passei maus bocados, sofri, chorei, e me anulei. Pensei que nunca ninguém iria me querer, saia pras festas toda arrumada, mas sempre achando que ninguém me notaria. Nunca me vesti ou me maquiei para mim, sempre para os outros. Tentei emagrecer pelos outros, deixar as unhas crescer pelos outros, tudo, exatamente tudo era pelos outros.

Um dia, eu notei que toda a minha vida, já vivida, eu vive sempre para agradar os outros e nunca a mim mesma. Todas as atitudes e até escolhas foram em função da opinião alheia. Então a percepção de tudo fez-me questionar porque eu vivia para os outros e não para mim? Qual era o problema afinal dessa maldita sociedade que não conseguia aceitar que eu era gorda, peituda e com cabelo crespo? Porque as pessoas simplesmente não entendiam que eu era assim? Todas essas perguntas martelaram em minha cabeça por um bom tempo, de diversas formas, até eu começar a encontrar respostas.

Há três anos eu conheci o famoso “Feminismo” que alguns taxam ou julgam erroneamente para que existe. No começo começou pela luta de direitos iguais para as mulheres, desde de salários a benéficos no trabalho. Depois eu fui me aprofundando mais no estudo do que era aquele movimento tão amado e tão odiado pelas pessoas. Passei a entender que o Feminismo estava acima de apenas lutas por direitos, ele estava também presente na luta diária da mulher por aceitação. Não para que os outros nos aceitem, mas para que nós mesmas pudéssemos nos aceitar exatamente como somos. Minha jornada em busca do meu amor próprio - que foi destruído durante toda a minha infância e adolescência - iniciou e passei a entender que acima de qualquer coisa eu precisava me amar. Aprendi que se dane a opinião dos outros, se a sociedade acredita que devo ser magra, com peitos e bunda de determinados padrões. Que dane-se se eles achavam e pregavam que eu deveria ser uma marionete submissa as regras que eles adoram cagar por aí. Descobri que não sou obrigada a nada! Minhas únicas obrigações eram: me amar e respeitar meu próximo. E assim, a cada dia, a cada leitura, texto, vídeo, palavras eu comecei a entender que eu sou ABSOLUTAMENTE PERFEITA e que ninguém pode me definir pelo meu peso, minha altura, minha bunda, ou a porra dos meus peitos.

Nesse tempo e nessa longa jornada, com auxílio de profissionais, aprendi que nossa sociedade é doente por tudo aquilo que vendem na TV, seja em anúncios, novelas, jornais. Um corpo magro, um cabelo liso, não definem nem por um segundo o que somos, e o que queremos ser. Nossas lutas, nossa história estão além da aparência física, estão dentro de nós, e no fim do dia é o quão bom somos para nós mesmo e para os outros que conta.

Não deixem que anulem quem você é.


Você é perfeito.

- Mai Passos G