terça-feira, 15 de setembro de 2015

AutorXAutor: Ana Cristina Aguiar x Lucas Chagas - Estrangeirismo na Literatura Nacional

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ANA CRISTINA AGUIAR
De todas as colunas do blog, essa é a minha preferida. Para quem ainda não conhece, Autor X Autor, é a coluna que confronta as opiniões de dois autores sobre uma mesmo tema literário, polêmico ou não, porém o grande ápice é que eles não sabem quem é o outro autor que participará, apenas na hora que a publicação é feita. Então acostumem-se a verem uma certa diferença nas respostas. Já discutimos aqui sobre blogueiros literários, literatura nacional e outros bastantes polêmicos (Confira, clicando aqui).
LUCAS CHAGAS
O tema de hoje é “Estrangeirismo na Literatura Nacional” e os autores escolhidos são: Ana Cristina Aguiar – autora da saga Tronos da Luz e Lucas Chagas – autor de A Ideia. 

Foram enviadas quatro perguntas, as mesmas para cada autor, as respostas estão abaixo, vamos conferir no que deu?

Estrangeirismo na Literatura Nacional

1 - Qual a sua opinião sobre o exagero de estrangeirismo na nossa literatura? Ex: Palavras, nomes de personagens, etc

Lucas Chagas - Acredito que o estrangeirismo é bacana quando não existe uma tradução prefeita da palavra. Mas na maioria das situações existe uma palavra em português que pode ser usada, como “encontro” ao invés de “meeting”, “fazer um break” ao invés de “dar uma pausa”.  Com relação a nomes, eu confesso que acho bem estranho historias nacionais com nomes estrangeiros.

Ana Cristina Aguiar - Depende do estrangeirismo. No que se refere ao gênero fantasia, muitas vezes os nomes tendem a ser esquisitos mesmo, pois estamos tratando de um outro mundo, outra realidade. Agora, quanto aos outros gêneros, acho estranho uma história se passar no Brasil e ter personagens com nomes estrangeiros. Isso acontece muito. Acho que talvez alguns autores façam isso por achar que vai ser melhor recebido pelo público, o que é muito precipitado, pois o que é nacional tem que ser mostrado.

2 - Você acha que um autor nacional que escreve uma estória que se passa em outro país, está fugindo de suas origens?

Lucas Chagas - Talvez. Não sei se fugir é a palavra certa. O que eu acho que acontece é que o mercado norte-americano ou europeu é tão mais forte, e os best-sellers são em maior parte destes lugares, que quando pensamos uma história, o cenário que criamos logo é nesses lugares, como algo uma forma de tornar a história automaticamente boa.

Talvez seja um processo que aconteça automaticamente com algumas pessoas. Também é bom pensar que o se o leitor se identifica com os personagens ou história em si, pode ser bom para o autor, e o leitor conhecer onde se passa a história, tendo vivido ou passado pelo lugar, é uma boa opção.

Ana Cristina Aguiar - Não, eu não acho. É diferente de ter uma história nacional com nomes estrangeiros. Alguma razão ele teve para fazer isso. Talvez uma lembrança, uma viagem, uma história que leu, um livro que assistiu. Muitas coisas podem tê-lo motivado. Nesse caso, acredito que o que importa é a história que será contada e a liberdade criativa do autor. Ser um bom autor nacional é fazer boas histórias, sem estar sempre se preocupando com o nacionalismo.

3 - Você acha que livros nacionais com enredo se passando fora do Brasil são influência da literatura estrangeira?

Lucas Chagas - Como eu respondi acima, de uma forma geral, sim.

Ana Cristina Aguiar - O que eu acho é que hoje vivemos uma era da globalização e o mundo está mais ao alcance de todos. Isso nos oferece horizontes mais amplos. Eu não preciso escrever somente sobre o Brasil só porque sou brasileira. Há inúmeros autores americanos que escrevem suas histórias no ambiente europeu, por exemplo, mas ninguém os questiona. Então, acho que a influência vem do próprio tempo em que vivemos.

4 - Em breves palavras nos descreva o papel de um autor nacional na valorização do seu País.

Lucas Chagas - O autor/escritor é uma das figuras mais simbólicas de um país, assim como cantores e personalidades. A literatura, assim como a música, esportes, artes, são aspectos importantes da identidade de um povo. Um país que reconhece bem seus autores é um país que investe em cultura diversificada.

Ana Cristina Aguiar - O autor nacional deve ser diversificado, para mostrar que o nosso país é um celeiro de contadores de histórias. Eu sonho em ver a fantasia nacional ultrapassar fronteiras e ser bem recebida pelo mundo todo, sonho em ver isso com nossos romances históricos, sobrenaturais, policiais, enfim, com todos os gêneros que têm sido trabalhados hoje. Acho que o papel do autor é conquistar o leitor e dialogar com ele. Esse país é um continente de ideias maravilhosas e que, não importa o gênero, sempre serão nacionais porque saíram de autores brasileiros.


27 comentários:

  1. Em primeiro lugar, faltou um link no "(Confira, clicando aqui)." Em segundo, achei bem legal a ideia do post. E gostei do tema abordado, apesar de não ter muita opinião a esse respeito, que não faz muita diferença pra mim, desde que a história seja boa.

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  2. Achei bem legal o post. Sobre os primeiros ''confrontos'', também acho que o exagero de estrangeirismos estraga a história. Não gosto de ler uma história que se passa no Brasil com nomes de países europeus ou USA, mas fazer o que, realmente tem gente que prefere. Parabéns pelo post!

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  3. Achei que as opiniões em si foram bem iguais e por isso não tenho um "lado" certo rs
    Adorei a proposta desse post e concordo com a maioria das respostas
    Beijos

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  4. cara realmente é bom ter opinião de autores sobre isso porque eles sofrem bastante com nossa nao valorização da literatura nacional, eu também acho estranho, uma história brasileira com um personagem chamado tyler ou edward u.u boa coluna, realmente muito boa, verei os outros posts.

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  5. Muito legal essa entrevista e as perguntas que você fez, são ótimas.
    Muito bom saber o que eles acham de determinados assuntos.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  6. Olá
    adorie a opinião de Lucas na pergunta quatro, ele tem toda razão, valorização é tudo no mercado tanto editoria quanto em qualquer outra profissão, e eu concordo com a Ana Cristina no quesito de ser aceitável o uso de nomes esquisitos, vc está tratando de Ficção e isso torna mais interessante
    Bjks
    Passa Lá - http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  7. Oi! Tudo bem?

    Gente, achei esse post incrível! Que ideia mais sensacional. Amei, amei, amei! Muito original =) Gostei da temática e das respostas de cada autor. Espero ver mais dessa coluna por aqui :) ~indo conferir os posts anteriores~

    Beijos,

    Juliana Garcez | Livros e Flores

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  8. Olá, primeira vez que vejo um post assim e achei muito bacana, é legal ver e comparar as opiniões dos autores, as vezes podem pensar na mesma coisa como podem pensar totalmente diferente. No geral gostei muito das suas perguntas, já quero ver outros posts assim! :D

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  9. Oii,
    Amei a ideia do post, gostei muito de ver as opiniões dos autores nesse assunto tão citado.
    Vivi
    Corujas de Biblioteca

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  10. Oi, tudo bem?
    Adorei a coluna, bacana confrontar a opinião dos dois autores sobre um mesmo tema! Gostei bastante do tema escolhido, pois é algo que vejo com frequência na literatura nacional!
    Acho que se o livro for bom, o fato de ser escrito por um autor brasileiro e a história se passar em outro país é irrelevante, o importante é o conteúdo do livro.

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

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  11. Nossa, preciso parabenizar essa coluna! Adorei. Uma proposta bastante diferente e que permite termos diferentes perspectivas sobre o mesmo assunto. E perspectivas de quem é experiente na literatura. Muito legal. Enfim, gostei da entrevista. Eu acho que ambos estão certos no que dizem. Por fim, conclui-se que tudo deve ser dosado. Excesso pode prejudicar a obra.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  12. Olá; achei essa coluna muito bacana. Ainda não conhecia os autores de hoje. Eu particularmente prefiro na maioria das vezes que autores brasileiros escrevam histórias que se passem no Brasil, que tenham brasileiros como personagens, exceto no caso de histórias que se passem em lugares fictícios.

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  13. Ótima ideia, ótimas perguntas e as respostas melhores ainda, é bom
    ter esse confronto e saber a opinião dos autores.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  14. Oi. Curti bastante as respostas do Lucas Chagas e gostei da ideia da coluna, bem interessante e inteligente. Diz muito sobre os autores e inclusive sobre o que esperar de suas obras, espero continuar lendo essa coluna por aqui...

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  15. Oue!
    Adorei a coluna e eu concordo com todas as respostas da Ana Cristina! Não precisamos escrever somente sobre o Brasil pq somos brasileiros!
    Beijos

    Lumartinho.Blogspot.com.br

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  16. Adorei a coluna, super diferente e dinamica. Gostei de ambas respostas. Vc poderia fazer blogueiros x blogueiros tbm, autor x leitor e assim vai ^^
    Parabéns pela coluna
    http://marifriend.blogspot.com.br/

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  17. Oie, gostei muito da coluna.
    Acho bem bacana ver as diferentes opiniões e eles nem saberem com quem estão debatendo.
    Sou mais partidária das respostas da Ana Cristina.

    Lisossomos

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  18. Achei legal saber a opinião de dois autores diferentes. Eu estranho quando um livro brasileiro se passa em outro país, mas também não curto nome de personagens muito comuns e brasileiros, então sou meio termo. hahaha
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  19. Eu acho estrangeirismo de palavras relativo.
    De nomes super cafona e acho que autores nacionais deveriam escrever seus livros se passando num país que eles conheçam, é muito tosco ler livros que se passam em NY quando autor nem se quer pisou lá, pra ter certeza de como é e poder descrever na sua história. Acho que salvo quando algo no enredo não dá pra se passar no Brasil, como por exemplo ter neve na história, ou algo assim isso é aceitável. Caso contrário prefiro nem ler, pois pra ter uma descrição de lugares no exterior prefiro autores nativos de lá.

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  20. Gostei muito do post e da proposta. Espero que crie mais posts assim
    Eu concordo com a Kris, comentário acima, e por causa dela comecei a rever um pouco as coisas da minha história.
    Em um situação no meu blog, ela disse a mesma coisa, e eu comecei a pensar um pouco.
    bjs bjs

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  21. oi ^gostei da entrevista.
    acho que na parte que a autora quis dizer que leu o livro e não assistiu (me referindo a pergunta onde o livro se passa em outro país).
    tbm concordo com o fato de que não tem problema, pq acho que o autor é livre pra escrever o que quiser, parece q só aqui no brasil a gente se incomoda com livros com histórias se passando fora '-'
    Seguindo o Coelho Branco

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  22. Adorei o post, e as respostas.
    Eu tb não acho que seja fuga escrever em outros país ou com nomes desses países quando a história se passa lá. Mas não curto quando a história é nacional, porém temos que entender que rola altos preconceitos com literatura nacional, potr isso é de certa forma compreensível.

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  23. Achei muito interessante a entrevista com os dois autores, eu, por exemplo, me identifico mais com histórias que se passa fora do Brasil, não sei se foi influência de alguma coisa, mas prefiro história que se passa lá fora.

    Abraços e até!

    http://lendoferozmente.blogspot.com.br/

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  24. bem legal o post, ainda mais por ser uma surpressa para eles.... achei interessante ver o "confronto" de ideias

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  25. Gostei muito das suas perguntas, e principalmente das respostas da Ana, (fã de carteirinha aqui, licença.. rsrsr).
    Eu gosto muito de histórias brasileiras que se passam no nosso país, mas as vezes não fica tão bacana, pois a realidade escrita pelo autor não se encaixa aqui, e sim em outo país, daí acaba que se ele tivesse colocado o fator 'estrangeiro' na sua história, teria ficado bem melhor e tal.

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  26. Oii, tudo bem?
    Adorei a coluna, sem dúvidas respostas bem diferentes, rsrs. é legal para saber mais um pouco sobre o que nossos autores pensam.

    Beijos

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  27. Eu também acho bem estranho quando livros nacionais tem personagens com nomes que geralmente não vemos por aqui.

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