segunda-feira, 23 de junho de 2014

AutorXAutor: Mateus Lins e Cássia Cassitas Tem Opiniões Confrontadas Sobre o Tema - Autores Nacionais X Autores Estrangeiros


Estava morrendo de saudades dessa nossa coluna em que confronto a opinião de dois autores sobre o mesmo tema, sem quem um não tenha contato com o outro. Os autores participante de hoje são: Mateus Lins, Cearense, residente em Fortaleza, autor do livro de fantasia infanto-juvenil O Reino de Mira, lançado ao longo de seus dezessete anos. Fascinado pelo mundo das letras desde criança, o autor já conta com prêmios literários e publicações em variadas antologias; E Cassia Cassitas, residente em Curitiba – Paraná, cujo  primeira obra, Domingo, O Jogo, publicada em 2010, alcançou o topo do ranking dos livros eletrônicos mais vendidos no Brasil e onde ficou por 33 semanas e também do livro Fortuna – A Saga da Riqueza.

O tema proposto de hoje é: Autores Estrangeiros X Autores Nacionais, vamos confrontar o que cada autor pensa sobre o tema e ver as diferentes formas de ver o mesmo assunto, vamos lá? Aceito sugestões para temas de nossa coluna, através do e-mail: mairtoncosta@hotmail.com.

Obs: As resposta dos autores estão conforme me foi enviado, sem qualquer edição ou corte.

Autores Estrangeiros X Autores Nacionais

 1 - Você acha que os leitores brasileiros gostam de ler mais autores estrangeiros? Por quê?


Mateus Lins - Acredito que essa é uma perspectiva em mudança. Hoje, vemos uma intensa propagação da literatura nacional proporcionada por diversas ferramentas, dentre algumas delas, as redes sociais que aproximam os leitores de seus autores e o trabalho de dedicados blogueiros.
Não acredito que este é um fator relacionado potencialmente a questão de gosto, mas a questão de investimento e publicidade. Autores nacionais que possuem publicidade elevada para suas obras conseguem atingir bons números e ganhar destaque dentro do que é apresentada pelo mercado.
Claro, torna-se valioso salientar a qualidade da obra literária abordada em questão, tanto nacional quanto internacional. Foca-se nesse caso o processo de filtragem do mercado editorial e livreiro.

Cássia Cassitas - Quando o assunto e não ficção, os títulos de autores brasileiros tem a preferencia do leitor brasileiro. Nas listas de Mais Vendidos do pais, chegamos a ter autores brasileiros por centenas de semanas. Já nos romances e outros gêneros de ficção, os títulos estrangeiros deixam os brasileiros para trás.

2 - Quais exemplos que os autores estrangeiros deixam que os nacionais devam ou não seguir?
Mateus Lins - Um assunto bem subjetivo. O que pode inspirar a mim pode não inspirar a outro autor no quesito exemplo. Exemplos vêm de várias vertentes e não necessariamente da exclusiva fonte dos autores internacionais.
É natural falarmos em perseverança, em espírito de inovar, recriar, mas isso não necessariamente vem de um autor estrangeiro embora possa ser notado em alguns casos protagonizado por estes. Eles provêm de um todo intitulado sociedade.
O que podemos suscitar para o quadro em questão é a questão do trabalho textual e das histórias, acredito eu. E isso varia muito de autor para autor, de gênero para gênero, de identificação para identificação, por isso, volto a salientar que é um assunto bastante subjetivo e que não pode ser abordado de maneira genérica como uma diretriz única e imutável, mas sim de modo abstrato para que cada um possa pensar, analisar e espelhar-se no exemplo mais interessante a ser retirado da situação.

Cássia Cassitas - O mercado mudou muito e o autor precisa entender como as coisas funcionam. Ha muitas maneiras de fazer os livros chegarem aos olhos dos leitores. Cada autor tem que encontrar a maneira mais conveniente ao seu temperamento e deixar para trás a ilusão que basta escrever muito bem para ter seu espaço no mercado. Os autores americanos, por exemplo, contam com um publico habituado a leitura. Eles consomem novas estórias, novos autores, com assiduidade. Além disso, as plataformas de e-books proporcionaram visibilidade a muitos escritores que colocaram seu trabalho em vários canais, divulgaram nas redes sociais, dedicaram-se a conquistar a atenção do leitor.  

3 – Você lê mais autores brasileiros ou estrangeiros? Por quê?

Mateus Lins - Não guio minha lista literária por autores brasileiros ou estrangeiros, não faço essa distinção. Leio por qualidade da obra literária, busco escritas criativas, aprofundadas, que clamem por uma qualidade muitas vezes ignorada por gêneros “modinhas”, que clamem pelo contexto artístico da escrita e os saiba explorar muito bem.
Então, me coloco em um ponto neutro, onde tenho lido tanto autores nacionais quanto internacionais em quantidades aproximadas.
Atualmente, estou lendo um livro nacional.

Cássia Cassitas - Depende. Por me propor a ambientar minhas estórias na realidade, faço muita pesquisa e isso me leva aos autores de não ficção brasileiros. Para escrever, adoro fazer paralelos. Por exemplo, como um brasileiro conta para o pai que bateu o carro? Como o italiano, francês, americano? Por trás do fato esta a cultura do povo que os clássicos desvendam em narrativas deliciosas. Então eu leio de tudo um pouco para contextualizar os meus personagens, brasileiros, num mundo onde não haja fronteiras, apenas peculiaridades.

4 – O que podemos fazer para mudar a mente do leitor brasileiro para ler mais livros nacionais?

Mateus Lins - Deixando minha humilde opinião, acredito que deve existir um movimento literário. Não falo de movimentos de promoção, mas de um único movimento que apresente a qualidade e o potencial do bom autor nacional e da boa literatura nacional, fazendo com que esta ganhe os olhares das grandes editoras, apresentando ao público o bom produto nacional e também o exportando. Precisamos quebrar um pouco com a ideia de conhecer um gênero único, mas sermos diversificados em nossas escolhas literárias. E esse movimento pode começar com cada um de nós! Escolher um bom livro nacional que gostar e indicar a um amigo, seja através de facebook, ou mesmo do boca a boca. Nós temos que disseminar essa ideia, apresentar ao brasileiro o Brasil que o cerca. Muitos fazem isso já, porém quando comparados ao todo, os muitos se tornam seu antônimo; poucos portanto os são.
Cássia Cassitas - Gosto da ideia de que atrás da estória, ha muitas historias. Os brasileiros gostam de boas estórias. Precisamos despertar a curiosidade desse leitor e colocar os livros a seu alcance. A distribuição e fundamental e talvez o elemento mais difícil. Alguns leitores me perguntam: onde compro seus livros? Quando não os encontram na livraria de sua preferencia, percebo que se decepcionam. As tiragens de ficção de autores nacionais e muito pequena. As vezes o leitor quer o livro daquele autor e não consegue encontra-lo. A qualidade do serviço de sites especializados como a Amazon ajudarão a driblar essa dificuldade e isso será muito bom para todos.

5 – Deixe sua opinião livre sobre o tema.
Mateus Lins - É um tema intrigante. Interessante e que propicia muito debate. Dentro do nosso mercado encontraremos pensamentos mais radicais que dizem para ler somente nacionais, outros amplamente extremistas e aqueles mais equilibrados. Onde está a razão? É uma boa pergunta e mais um novo conceito relativo. O que é razão para você aplicada nessa questão? Com quem ela está?
Compreendeu caro leitor? É um tema complexo, amplo. Literatura nacional quando boa é algo de fundamental disseminação, propagação. Da mesma forma a estrangeira. Elas completam uma a outra. Elas inspiram uma a outra. Os autores crescem uns com os autores independente de sua nacionalidade.
Uma literatura de boa qualidade é o que queremos. É o que ensejamos. Se ela for nacional, deve ser devidamente valorizada e nós, somente nós, leitores, podemos conceber a estas seu lugar de direito, sua devida atenção.


Cássia Cassitas - Os brasileiros estão lendo mais. E um caminho a ser explorado são os e-books disponíveis nos smartphones. Esta tecnologia coloca o mundo no bolso do passageiro de ônibus, nas salas de espera de consultórios, na mesa da cantina. Quando o livro certo pega seu leitor, ele prefere “virar” a pagina a navegar no Facebook. E nesse caminho, os autores nacionais estão disponíveis. Eu acredito que esse e o caminho e sou muito otimista quanto ao futuro da literatura brasileira.  

2 comentários:

  1. Acho que o brasileiro leva a vida segundo o modismo, isto fica bem claro em todos os setores, seja na moda fashion, na cor da roupa, no modelo do tênis, no corte do cabelo, na cor do esmalte, segue as tendências principalmente se vem de fora, de quem dita a moda, e hoje temos um ditador de modismo de grande peso a MÍDIA, e então parece que quanto aos livros nada fica diferente: se 50 Tons de Cinza é deprimente como literatura para uns poucos, milhares ao contrário acham que levar o livro no metrô e exibir a capa enquanto finge que lê garante sua aceitação como um ser atualizado que segue a moda .

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  2. Semióticas, nas devidas proporções, ler, ao meu ver, para o Brasil passou por 2 etapas, primeiro por um momento propício à leitura de signos cujos significado e significantes, (som ou desenho = letra), havia-se tempo para isso, mesmo que de acesso à poucos, tinha-se o "time" ideal para isso. Acredito que essa etapa tenha terminado por volta do final dos anos 80. A segunda etapa, e é a que, penso, vivemos hoje, é um pouco "haikai", o momento é favorável à isso.
    Marx
    "(...) a necessidade de alcançar novos mercados, fará com que o Capital crie a agilização nos processos de relações comerciais(...)"
    ps.: perdoe-me, não me recordo o Volume e Texto especifico.

    Nas devidas proporções, não deixa de ser similar a afirmação de Marx (Marx também, outros autores, pensadores, afirmaram algo similar), ao "time" hoje, de nossos hábitos, cultos, rotinas... A rapidez ao que me parece, junto ao desenvolvimento dos Mass Media, "avanço tecnológico", tornou "determinados" procedimentos bem mais específicos e diretos.
    Penso que o que se tem hoje em "quantidade" relevante é, a presença da comunicação escrita, "leitura" mais compacta, é "isso e apenas isso", consuma facilmente.
    Mesmo com políticas de "democratização" do Letramento, acredito que o número de leitores de conteúdos "haikai" ainda é notavelmente maior do que os leitores não de conteúdos não "haikai"
    Já os estrangeiros, destaque para os Europeus, ao que me parece, leem (diversos conteúdos, temas) à maneira não "haikai".
    Penso ser bom relembrar que Estrangeiros Europeus tendem a ter essa característica como leitores, não "haikai", na América do Norte, destaca-se E.U.A., já pelo próprio modo de formação do País, Estado e Nação, e nada mais do que o Berço do Liberalismo (que influencia e muito ao meu ver nos hábitos, costumes, ritos, cultos ou seja Cultura)
    ao que me parece, reverbera para si e para os restante do planeta o hábito da leitura, "haikai ou não".
    E, quanto ao conteúdo de cada livro, livreto, página ou mesmo eu texto, acredito que o Brasil e os Estrangeiros estão aos poucos, com suas políticas de letramento, segmentando os conteúdos, logo, "mensagens" de cada produção literária e o que se tem é um progresso, mesmo que lento, do modo de leitura "não haikai".

    Some may not like a poor Brazilian writer "dumb" like me.
    But I left a long time all attempts at perfection.

    O Estrangeiro - Caetano Veloso

    Que ele não me processe por ter plagiado e alterado a obra dele.
    rsrsr

    Obrigado à todos pela oportunidade.

    Mauro.

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