segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Fala Claúdio: Resenha - Favela Paris, de Sidney Amaral

Por Claúdio Quirino

Fazia um tempinho que eu não conhecia um mundo tão particularmente interessante e socialmente real quanto à retratação fiel de uma favela carioca, mundo pelo qual o autor Sidney Amaral teceu uma história coerente, de um sensacionalismo formidável e – com aquilo que me chamaria mais a atenção – acompanhada de uma linguagem humorada e simpaticíssima.

Em Favela Paris (Editora APED), o leitor é rapidamente apresentado a três recortes de uma realidade diferenciada, vivenciada por três personagens que concebem seus pontos de vista através de uma narrativa com finalidades conclusivas; cada uma delas, concebe uma linha de raciocínio lógica, ética e de apresentação de características pessoais, visão de mundo e do próximo e, acima de tudo isso, entrega de perspectivas diversas. Ari (um pedreiro misteriosamente detentor de grandes conhecimentos de causa), tenente Carlos (um homem altivo, marcado por chagas da própria profissão e da crueldade da vida) e Jaqueline (administradora multimilionária que busca investimentos) revelam o quanto a vida nas favelas podem ser tragicamente transformadas a partir de uma impressionante idéia que, nem nos meus pesadelos mais inteligentes, alguém poderia supor ou desejar.

É, aqui, que a originalidade do enredo do romance ganha principal destaque, honrando sua proposta com debates políticos, coesos e que argumentam a sua escolha. Nada mais coincidente que amarrar a vida desses três personagens em uma improvável empreitada em que o sonho de mudar a cara das favelas cariosas. E quando digo mudar a expressão que as favelas atualmente denunciam, Sidney ousou ambientar cada aspecto e, com um primor técnico de linguagem de convencimento, entregou um livro que, apesar de tudo, ainda é cercado de muito mistério, tensão, cenas de cair o queixo.


Ação. É um livro que apresenta boas tomadas de ação e isso eu gostei, porque cada um deles justifica seus pontos de vista usando retalhos e acontecimentos empolgantes. E, até aqui, Favela Paris cumpre com a sua promessa de modernizar o negócio do tráfico, das oportunidades, da vida dos moradores e do próprio controle interno de uma rede que aumenta a olhos vistos, em todo o país. Modernidade. O livro ainda apresenta uma bela capa – assinada com uma riqueza de detalhes e cores marcadas –, uma boa diagramação, revisão. No entanto, senti um pouco mais de falta da estruturação de alguns parágrafos, do detalhamento de alguns acontecimentos, embora isso não tenha efetivamente trazido problemas, e de um melhor trabalho psicológico dos personagens. Enfim, nada disso afetou o enredo. Favela Paris conta uma história cheia de arte, simbolismo, confiança na mudança da realidade e traz o título que, por si só, constitui uma grande curiosidade, que, aos poucos, vai se tornando convincente e provocando uma aberta discussão.

Um comentário:

  1. Primeiramente, gostaria de elogiar sua resenha que é excelente, parabéns.
    Apesar da história parecer interessante, retratando a favela, essa parte tão discriminada, que alguns nem julgariam em falar à respeito, não despertou meu interesse.

    Beijos,
    orocardovento.blogspot.com

    ResponderExcluir

Deixe-nos sua opinião sobre esta postagem.